Por Gabriel Camargo

Redator freelancer da Rock Content.

Publicado em 14 de maio de 2019. | Atualizado em 4 de setembro de 2019


O conceito de Effectuation aposta no aprendizado na prática, com os erros e a experiência empírica servindo como base para estruturação de um novo negócio. Dessa forma, essa estratégia conta com 5 princípios básicos: pássaro na mão, perda acessível, manta de retalhos, limonada e piloto do avião, os quais auxiliam no direcionamento das ações do empreendedor.

O sucesso de qualquer empresa depende de inúmeros fatores como: orçamento disponível, estratégia adotada, concorrência, administração correta, público-alvo ou até mesmo segmento de atuação. Dessa forma, o que diferencia um empreendedor de pessoas com boas ideias é justamente transformar uma ideia em um negócio sustentável.

O caminho mais comum começa com estudos e análises antes de tirar a ideia do papel: definir estratégias, análise do mercado, taxa de retorno, enfim, conceitos ensinados em um MBA ou curso de Administração. A teoria do Effectuation, porém, vem se tornando cada vez mais comum e aposta exatamente no contrário por ser um modelo empírico.

Diferente do modelo tradicional de empreender, o Effectuation tem uma abordagem completamente contrária de um plano de negócios que você provavelmente está acostumado. Que tal, então, conhecer mais sobre esse conceito e como ele pode modificar a forma como você empreende? Continue a leitura para saber!

O que é Effectuation?

Effectuation é a ideia de simplesmente fazer alguma coisa com o que está disponível. Esse conceito se baseia, portanto, em utilizar os recursos de maneira criativa para lidar com as surpresas e dificuldades da implementação de uma ideia.

Criado no fim dos anos 1990 pela professora Saras Sarasvathy, da Darden School of Business, na Universidade de Virginia (EUA), o Effectuation se baseia no trabalho empírico. Em vez de se preocupar com metas e objetivos a longo prazo, a ideia é trabalhar com os recursos que estão disponíveis e, na prática, descobrir o que funciona ou não.

Após observar que a maioria dos empreendedores analisados em seus estudos utilizavam uma metodologia voltada para a prática e utilização do que estava em mãos para solucionar os casos, surgiu o termo Effectuation. O uso de previsões — seja orçamentária, seja de aceitação do consumidor — deu lugar ao improviso e à flexibilidade.

Para exemplificar o conceito de Effectuation, Sarasvathy se baseou em quatro perguntas básicas:

  • Quem eu sou?
  • O que eu sei fazer?
  • Quem eu conheço?
  • Quais recursos eu tenho?

A partir dessas respostas, é possível entender melhor quais são as possibilidades de empreender no momento. É cozinhar, escrever ou ensinar? Quais pessoas podem ajudar você nessa tarefa? E do que você precisa para entregar um produto ou serviço, quais são os recursos disponíveis?

O Effectuation, portanto, direciona o foco do empreendedor para a situação atual, ou seja, para o trabalho que ele sabe e pode fazer no momento. Deixando de lado as previsões, metas e resultados daquela ação, simplesmente utilizando o que está disponível para ser aplicado em sua rotina de trabalho.

Qual a importância do pensamento para o Effectuation?

O grande desafio do empreendedor é encontrar maneiras de solucionar um problema ou revolucionar um mercado com as suas ideias. O pensamento é, portanto, parte fundamental do empreendedorismo. Diferente de um empresário, que pode simplesmente replicar um modelo de negócio — como uma franquia —, a ideia é inovar.

A partir das ideias, criar uma solução para melhorar um serviço ou produto, seja criando uma nova empresa, seja aprimorando uma organização já existente. Outros fatores acabam influenciando no resultado final da sua empreitada, ou seja, se o seu pensamento, de fato, se tornou alguma coisa útil ou não saiu do papel.

O foco do empreendedor, porém, é justamente no pensamento correto, na ideia de inovar, de fazer diferente e oferecer uma experiência mais positiva para o público que determinado serviço ou produto se destina. Parte do sucesso de um empreendedor está na capacidade de pensar e criar com os recursos disponíveis no momento.

O conceito de Effectuation, portanto, leva essa ideia ao pé da letra: apostar na prática e, consequentemente, aprender com os erros até encontrar a solução adequada e que funcione como o esperado. Nessa teoria, o pensamento é o fator mais valorizado, já que o incentivo é fazer com o que você pode contar no momento.

Case de sucesso

Retirado de: candy & cake show.

Para ilustrar a utilização desse conceito, o Brownie do Luiz é um exemplo que se enquadra no que o Effectuation consiste: utilizar os recursos disponíveis da melhor forma possível. A ideia de ganhar dinheiro com brownies começou ainda na escola, quando Luiz vendia os doces que fazia em casa no intervalo entre as aulas.

Com o negócio evoluindo e a demanda aumentando, o empreendedor resolveu deixar a cozinha de casa e expandir a produção ao sublocar uma cozinha industrial. Em seguida, com a necessidade cada vez maior de produção e o dinheiro conquistado com as vendas, deu o passo seguinte, abriu a fábrica e formalizou o negócio. 

Luiz percebeu também que precisava de ajuda (“quem eu conheço?”) e o negócio passou a ter cinco sócios. Hoje, o faturamento já passou dos R$ 3 milhões e a empresa investe em diferentes produtos para comercialização, até mesmo cervejas com a marca. Um exemplo claro de Effectuation.

Afinal, Luiz não visualizou todos esses avanços quando vendia brownie na escola. Foi percebendo, aos poucos, maneiras de avançar e crescer com a sua empresa. Mesmo que não tenha sido intencionalmente, o empreendedor aplicou os principais conceitos de Effectuation para ampliar a atuação e faturamento do seu negócio.

Quais são os seus pilares?

De acordo com os princípios do Effectuation, nenhum empreendedor começa um negócio com objetivos e metas, mas sim com os recursos que ele tem disponível. O conceito é baseado em cinco pilares e para que você compreenda melhor essa teoria, destrinchamos cada um deles. Confira!

Pássaro na mão

O princípio básico do Effectuation é justamente começar a empreender com o que você tem disponível. O negócio precisa surgir a partir das respostas das quatro perguntas básicas que Sarasvathy propõe, sem se preocupar com objetivos, metas e um plano de negócio, mas sim com o que é possível inovar, com o que está à sua disposição.

Perda acessível

Ao limitar os recursos que podem ser utilizados para iniciar um negócio, por exemplo, você sabe exatamente aquilo que pode perder ao empreender. Assim, em vez de aplicar o all-in e arriscar ainda mais, você compreende melhor quais são os riscos das suas ações e, assim, gasta apenas o que puder.

Limonada

O velho ditado “quando a vida der limões, faça uma limonada” é aplicado perfeitamente com o Effectuation. Ou seja, saiba lidar com as notícias ruins e eventuais surpresas que apareçam. Melhor ainda quando você consegue aceitar os obstáculos e, assim, encontrar um novo mercado para atuar ou serviço para oferecer.

Manta de retalhos

A história do Brownie do Luiz exemplifica bem o que significa a “manta de retalhos”: procure por parceiros para estabelecer o seu negócio. No caso do Luiz, ele percebeu que a demanda estava crescendo e precisou de cinco sócios para ajudar na gestão do seu negócio, trabalhando com quem queria ajudar e prosperando ainda mais.

Piloto de avião

Focar apenas naquilo que você pode controlar. Dessa forma, em vez de perder com previsões que muitas vezes não se concretizam — para o bem ou para o mal —, você foca nas ações sob o seu controle e, assim, potencializa as suas chances de conseguir melhores resultados.

Qual a usabilidade do conceito no empreendedorismo digital?

Com a transformação digital, empreender ficou ainda mais fácil, afinal, segue as principais tendências de consumo ao oferecer custos mais baixos para quem quer abrir um novo negócio e a possibilidade de expandir a sua atuação. O empreendedorismo digital é, portanto, um modelo de negócios cada vez mais comum.

Por isso, o conceito de Effectuation se encaixa perfeitamente, permitindo que o empreendedor possa arriscar mais, aprendendo com os seus erros, aplicando ideias “erradas” repetidamente até encontrar uma fórmula que funcione. Ou seja, o trabalho empírico pode ser acentuado para quem resolve empreender digitalmente.

Além disso, o cenário cada vez mais online corrobora um dos pilares desse conceito: o piloto de avião. Ao levar para o Marketing Digital em busca de divulgação para o seu e-commerce, por exemplo, você passa a ter um controle muito maior sobre as suas campanhas de comunicação, sabendo exatamente o que funciona e o que não funciona.

Qual a importância de contar com ferramentas de gestão para empreender?

A gestão de qualquer negócio é fundamental, independentemente de tamanho, objetivos, recursos ou área de atuação. Quando você decide empreender se baseando nos princípios de Effectuation, esse assunto é ainda mais importante, afinal, o foco está no próprio empreendedor e, por isso, é preciso tirar o máximo de cada ação para ter sucesso.

Conseguir gerir eficientemente o seu tempo, os seus projetos e tarefas é, portanto, ainda mais importante, afinal, o desempenho do seu negócio depende das suas ações no momento. Com ferramentas de gestão, você garante maior eficiência em todas as suas atividades, otimizando a produtividade do seu negócio.

Afinal, com o Effectuation aplicado ao seu negócio, um método em que você precisa lidar com os recursos disponíveis e controlar os aspectos que estão ao seu alcance, nada melhor do que tirar o máximo do que você tem em mãos, certo?

Agora que você já conheceu melhor o que é Effectuation, os seus pilares e exemplos de quem utilizou a teoria para empreender, que tal conferir alguns recursos que podem melhorar o desempenho do seu negócio? Saiba quais são as melhores ferramentas e metodologias de gestão para que você consiga facilitar os seus processos diários!

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