Por Laura Bernardes

Analista de Marketing na Rock Content

Publicado em 8 de março de 2019. | Atualizado em 1 de outubro de 2019


Ser uma mulher e estar presente no mercado de trabalho já é difícil. Ser uma mulher, em um cargo de liderança, no mercado de trabalho é ainda mais desafiador. No Dia Internacional da Mulher fizemos um especial com a história de 5 lideranças femininas na Rock.

O mercado de trabalho ainda não absorveu totalmente a importância do papel feminino dentro de uma corporação.

Segundo a pesquisa Women in the boardroom, da Deloitte, que conversou com 7 mil organizações, em mais de 40 países, apenas 15% dos assentos de conselho são ocupados por mulheres.

No Brasil, esse número fica ainda menor: apenas 7,7% dos assentos pertencem a figuras femininas. Isso coloca o país na 37ª posição em uma escala de 44.

Com tantas barreiras colocadas à frente e provações no meio do caminho, as mulheres que chegam em altos cargos merecem destaque.

Convidamos algumas líderes aqui da Rock Content para contarem um pouco de sua jornada como mulheres dentro do mercado de trabalho.

1. Lizandra Muniz — Gerente de Marketing

Ter referências de líderes mulheres para mim foi o que me fez entender que eu também poderia ser uma. A cobrança externa e interna existe com mulheres o tempo todo, e no mercado de trabalho não seria diferente.

Somos ensinadas que precisamos ser perfeitas, e isso nos impede de tentar muitas coisas. Nunca achamos que podemos.

Ver mulheres comuns e imperfeitas seguindo com suas profissões me ensinou mais do que elas imaginam. Quando percebi que eu poderia ser eu mesma, não carregar o mundo nas costas e ainda ser uma boa líder me senti muito mais leve.

Posso errar, ter defeitos e não preciso dar conta de tudo. Sou tão capaz quanto qualquer outra pessoa e líderes mulheres me inspiram e me mostram que meu gênero não deveria me limitar.

Lizandra Muniz
Lizandra Muniz

2. Talita Batista — Revenue Manager

Já tive minha idade perguntada como forma de diminuir minha autoridade. Já tive que pedir intervenção de um líder homem para me ajudar a resolver uma situação em que eu simplesmente não conseguia ser ouvida.

Já gritaram comigo por ser mulher. Já pediram desculpas para o meu chefe homem por me desrespeitar, não a mim. Já me pediram pra manter as unhas feitas para vender o produto da empresa, afinal, superar a meta todo mês não era suficiente para provar minha competência.

Já fui chamada de brava, mandona e controladora, simplesmente por ser líder, firme e focada em direção aos meus objetivos.

Mas também já tive uma mentora maravilhosa, que me ouviu e empatizou por todas as situações de machismo que já vivi no mercado de trabalho, me ajudando a vivenciá-las com mais serenidade e vencer, seguir.

Pude também transmitir tudo que aprendi, todas as lutas que venci e impactar positivamente a vida e a carreira de outras mulheres, sendo mentora, sendo líder, sendo referência.

Já conversei com garotas que eram exatamente a Talita de 19 anos, falando com elas o que eu gostaria muito de ter ouvido nesta época.

Criei um perfil de empoderamento feminino, escrevi um texto muito pessoal sobre feminismo e carreira (e recebi comentários maravilhosos!). Já fui reconhecida por ser uma líder mulher inspiradora e fui procurada por mulheres para ter conselhos de carreira, de recolocação profissional, de começo de carreira, de direcionamento profissional.

No fim — ou melhor, neste ponto, pois ainda é só o começo —, tudo que já foi passado nesses mais de 10 anos de mercado de trabalho me prepararam para cumprir minha missão: impactar positivamente a vida de mulheres, ajudando-as em seu desenvolvimento pessoal e profissional, com igualdade e respeito.

A luta continua, não desanimamos. Vamos juntas!

Talita Borges
Talita Batista

3. Thais Lavarini — Gerente de Sucesso do Cliente

Crescer mulher não é tarefa fácil, sabe? O divórcio dos meus pais antes mesmo de eu nascer e o falecimento da minha mãe quando eu tinha 7 anos me colocaram em uma realidade de vida bem feminina.

Cresci em um lar dividido com minha avó e minha irmã. Comecei a trabalhar muito nova e tudo que conquistei de lá para cá foi com meu próprio esforço.

A parte mais difícil disso tudo nunca foi as dificuldades financeiras, abrir mão de uma adolescência “normal” para pagar as contas, ou a falta de uma figura paterna/ masculina.

As maiores dificuldades que enfrentei vieram de como eu me autosabotava depois de me deixar afetar por pessoas que tentavam me fazer sentir inferior, ou incapaz.

Desde o questionamento das decisões tomadas, faculdade cursada, pós escolhida, entrar no mestrado a como eu gerenciava as finanças da minha casa, até o cúmulo de ouvir coisas do tipo: “você faria sua mãe remexer no caixão de desgosto”, “você vai ser demitida”. Tudo isso pela escolha das minhas roupas.

Para quem comeu arroz puro no café da manhã, almoço e janta, eu tenho muito orgulho em sustentar minha casa sozinha, cuidar da minha avó que sempre esteve comigo e prover para nós duas uma boa qualidade de vida.

O que eu alcancei até aqui foi porque acredito em mim e isso é algo que eu preciso constantemente me lembrar toda manhã.

Eu tenho essa frase na minha mesa de trabalho e no meu quarto. Olho para ela, penso e a internalizo todos os dias:

“Ninguém pode fazer você se sentir inferior sem o seu consentimento”

Eleanor Roosevelt, ex-primeira-dama dos Estados Unidos

Espero que vocês se lembrem disso todos os dias também!

Thais Lavarini
Thais Lavarini

4. Izabela Guarino — Gerente de Projetos e Parcerias

Mais do que ficar provando nossa capacidade, temos que agir com naturalidade e delicadeza; sem medo soar “mandona” quando você precisa ser gerente, mas também com todo brilho no olho que temos ao desenvolver nossa carreira quando precisamos ser “líderes”.  

A liderança nos traz o presente de poder inspirar pessoas a se desafiarem e criarem um ambiente melhor, mas também nos traz a responsabilidade de evitar qualquer extremismo e disseminar a separação ao invés da união.

Izabela Guarino
Izabela Guarino

5. Luiza Drubscky — Gerente de Marketing

Desde muito nova tive a oportunidade de ter dentro de casa um empreendedor nato que, mesmo sem ter a sua própria empresa, sempre estudou muito sobre gestão, liderança e organização empresarial e financeira.

Meu pai sempre teve um coração de estudante quanto a esses (e vários outros) tópicos e me incentivou a seguir o mesmo caminho.

Quando entrei na Rock Content, em 2014, finalmente eu entendi de onde ele tirava tanto interesse em se aprimorar.

A possibilidade de passar adiante esse tipo de conhecimento adquirido, orientar pessoas no seu desenvolvimento de carreira e, como consequência, trazer cada vez mais resultado para a empresa é o que constitui um líder em sua essência.

E esta, que é uma das maiores satisfações da minha vida profissional, também se apresenta na forma de um dos maiores desafios.

Mas, cá entre nós, é exatamente pela dificuldade de conseguir transmitir esses mesmos ensinamentos adiante que é tão legal e importante continuar nessa jornada. E você, o que mais te motiva e desafia?

Luiza Drubscky
Luiza Drubscky

Apesar de todos os percalços encontrados para chegar até a liderança, estar dentro de uma porcentagem — ainda que pequena — é mais que satisfatório.

E, para seguir aprendendo sobre a importância da diversidade em empresas, não deixe de conferir o que você pode aprender com uma mulher designer em uma área predominantemente masculina.

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