O que você pode aprender com uma mulher designer em uma área predominantemente masculina

O que você pode aprender com uma mulher designer em uma área predominantemente masculina

Na semana em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, trouxemos o relato da nossa designer UI e UX, Jordana Andrade. Sendo uma das poucas mulheres dentro do time, ela contou algumas curiosidades sobre a área de atuação e as dificuldades que enfrenta por ser mulher em uma área predominantemente masculina.

Ao pensar em um time de produto, dentro de uma empresa de tecnologia, qual é o primeiro pensamento que vem à sua mente? Um grupo de homens, sentados de frente para um computador, discutindo sobre ferramentas, códigos e programas?

Socialmente, áreas como essa ganham a percepção de pertencerem mais ao universo masculino do que ao feminino. Aqui dentro da Rock, em nosso time de produto, contamos com poucas, porém capazes figuras femininas.

Com a lembrança do Dia Internacional da Mulher e a certeza de que boas histórias precisam ser contadas, trouxemos o relato da Jordana Andrade, designer UI (interface do usuário) e UX (experiência do usuário).

Siga conosco e conheça a jornada da designer no mundo da tecnologia.

Por que tecnologia

Eu sempre gostei de tecnologia e sempre quis trabalhar na área. Acredito que a área de tech é o futuro e ela pode inclusive solucionar vários problemas sociais e políticos, assuntos pelos quais eu me interesso muito.

Desenvolver tecnologias é parte da existência humana desde os primórdios da humanidade e acredito que podemos melhorar muito a vida de todo mundo nos aprofundando cada vez mais nessa área.

Não tive incentivo da família, mas também não tive resistência, era uma coisa meio difícil de entender para minha mãe e meu pai, mas hoje eles curtem e se orgulham quando eu falo que faço design da experiência do usuário.

Como tudo começou

Sou formada em design gráfico pela Universidade Estadual de Minas Gerais e trabalhei muitos anos na área de criação em várias agências de BH.

Sempre gostei muito da área também mas sempre desejei cuidar de um produto com carinho, ouvindo e investigando o que é melhor para seu usuário, oportunidade que só uma empresa tech pode oferecer.

Papel da designer UI e UX

Aqui na Rock eu sou designer UI e UX. Eu cuido da usabilidade e do visual da plataforma em que nossos clientes e rockers navegam diariamente.

Investigo as demandas de usabilidade (onde está difícil navegar, complicado de achar as informações), pesquiso e crio novas alternativas de navegação para serem implementadas pelo nosso time de desenvolvedores.

Meu objetivo é proporcionar a melhor experiência para todos os usuários da plataforma, com o mínimo de atrito e erros possíveis!

Jordana Andrade
Jordana Andrade

Área predominantemente masculina a se desbravar

Infelizmente a área é predominantemente masculina até hoje, cenário que tem mudado, mas não com a velocidade que eu gostaria.

Existem iniciativas interessantes na área, para ensinar mulheres da periferia a codar, meninas a gostarem de lógica e matemática e a terem noções de programação e robótica desde muito novas, por exemplo, mas ainda precisamos caminhar muito nessa jornada para chegarmos ao domínio da área que os homens detém.

A maioria das empresas tech têm em seus colaboradores muito mais homens em todos os níveis, e quando se fala de liderança, a amostragem de mulheres — principalmente negras — é muito menor ou até inexistente.

Eu gosto de pensar todos os dias que estou aqui não só para trabalhar, me sustentar e fazer o melhor produto que eu posso fazer, mas também para abrir o caminho para tantas meninas e garotas que estão crescendo agora e podem ser as próximas grande gênias de uma geração inteira.

Dificuldades de ser mulher e atuar nesse campo

Todas nós passamos dificuldades diariamente, por sermos subestimadas, por não acreditarem em nossa capacidade de resolver problemas com maestria ou fazer entregas que satisfaçam a necessidade da demanda.

Acredito que temos um caminho longo pela frente, de quebrar os padrões e estereótipos que nos foram incutidos há milênios, desde que a sociedade começou a se estabelecer lá atrás.

As principais dificuldades com certeza são conseguir ser vista como assertiva e não agressiva. 

Isso porque nós, mulheres, temos de ser sempre muito delicadas e educadas, e se saímos desse papel, já somos lidas como grossas ou sem paciência — traços que podem ser vistos como qualidades em um homem, e ultrapassar a primeira impressão que muitos homens têm de nós, de que somos apenas garotas e não sabemos muita coisa.

Essas questões se agravam ainda mais na área se você não for uma mulher branca ou pertencer a outras minorias, como se for neuroatípica por exemplo, então existem mulheres por aí vencendo muito mais barreiras que eu jamais seria capaz de imaginar.

Curiosidade sobre a área que poucas pessoas sabem

Eu gosto sempre de contar para as pessoas — já que muitas ainda não sabem — duas histórias muito interessantes sobre como as mulheres sempre estiveram inseridas na tecnologia e fazendo seu trabalho de forma primorosa.

A primeira programadora da história foi uma mulher, Ada Augusta King, a condessa de Lovelace. Ela escreveu o primeiro algoritmo a ser interpretado por uma máquina (o algoritmo ajudava a máquina analítica de Charles Babbage a computar funções matemáticas).

Outra mulher importantíssima na tecnologia foi Hedy Lamarr, que além de atriz era inventora e desenvolveu um aparelho de interferência em rádios para despistar os nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.

Esse aparelho, além de muito utilizado na guerra, foi a base tecnológica que possibilitou a existência de aparelhos celulares como os conhecemos hoje, sem fios.

As mulheres sempre fizeram um papel importante na área. Desde as computadoras — mulheres que computavam os dados nas enormes máquinas de computação, que ocupavam um galpão inteiro (e que hoje viraram os computadores pequeninos que carregamos para todos os lados) — nós ainda temos muito a adicionar nesse mercado.

Já foi comprovado que a diversidade aumenta a inovação e os ganhos de uma empresa e também que a inteligência coletiva do seu time aumenta com mais mulheres fazendo parte dele.

Conclusão

Segundo estudo realizado pela McKinsey com mais de 1000 companhias, em 12 países diferentes, empresas que apresentavam um grupo de funcionários com maior diversidade tiveram melhores resultados de lucratividade e de criação de valor.

Além disso, segundo pesquisa da Peterson Institute for International Economics, empresas com mulheres em cargos de liderança tendem a ter resultados melhores. Esse dado foi alcançado depois de analisarem mais de 21 mil empresas, de 91 países diferentes.

Negócios que aumentaram a presença de lideranças femininas em até 30% viram um crescimento de 15% na rentabilidade.

Apesar de todos os dados apontarem os benefícios das corporações contarem com a diversidade de gênero, a realidade é bem distinta.

Em estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) foi constatado que a taxa global de força de trabalho feminino foi de 48,5% em 2018 — 26,5 pontos percentuais a menos que homens. Além disso, para cada 10 homens empregados, existem 6 mulheres empregadas.

Por fim, quando o assunto são cargos de gestão e liderança, as mulheres seguem com poucas oportunidades. Conforme apontou o estudo da Peterson Institute for International Economics, cerca de 60% das empresas analisadas não têm mulheres no conselho, mais de 50% não possuem papéis femininos no topo da hierarquia e menos de 5% têm CEOs mulheres.

Mais do que modismo, ações de inclusão e incentivo das mulheres no trabalho de mercado tendem a beneficiar corporações e consumidores.

E, para seguir estudando sobre o assunto, não deixe conferir nosso conteúdo sobre 11 campanhas para mulheres que nos fazem refletir.

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