Por Cayo Woebcken

Redator freelancer da Rock Content.

Publicado em 20 de junho de 2019. | Atualizado em 9 de dezembro de 2019


Pipeline de liderança é um modelo de desenvolvimento de líderes elaborado pelo renomado consultor de negócios Ram Charan. A metodologia parte do entendimento de que a liderança não é uma habilidade inapta, ou seja, pode ser aprendida e desenvolvida. Assim, Charan estrutura 6 etapas fundamentais, que exploramos neste artigo.

Liderança — essa é uma das qualidades mais cobiçadas por gestores quando mapeiam o mercado em busca de novos colaboradores, ou mesmo quando olham internamente à procura de talentos brutos. Não é à toa. Encontrar o profissional certo para liderar equipes ou conduzir projetos é a chave para uma gestão de pessoas eficiente.

Mas, afinal, quem são esses líderes? Embora alguns ainda acreditem no contrário, a liderança não é uma habilidade que se trata, necessariamente, de um dom natural. Isso significa que, potencialmente, qualquer indivíduo pode desenvolver as características necessárias para ocupar cargos de comando. Isso, é claro, não acontece da noite para o dia.

Entre os muitos modelos que se propõem a ensinar a arte de liderar, o pipeline de liderança tem destaque absoluto. Seu entendimento e aplicação possibilitam que você desenvolva as competências necessárias para se tornar um líder de alta performance. Quer saber mais? Neste texto, você vai descobrir:

Continue a leitura e confira!

O que é pipeline da liderança e para que serve?

O desenvolvimento de pessoas é uma das atividades mais importantes que podem ser realizadas pelo departamento de recursos humanos. A partir do oferecimento de cursos e programas de capacitação e do investimento nas melhores práticas, é viável aprimorar um profissional e, assim, elevá-lo a um nível superior de excelência.

Nesse sentido, são comuns os programas que buscam aperfeiçoar alguma habilidade técnica, de modo a aumentar a eficiência do profissional e potencializar o retorno para a empresa. Contudo, modelos mais específicos podem desenvolver qualidades mais profundas, como a capacidade de liderar. É aí que entra o pipeline de liderança.

A metodologia foi desenvolvida pelo consultor de negócios indiano Ram Charan, sendo apresentada ao público por meio do livro “Pipeline de Liderança: O Desenvolvimento de Líderes como Diferencial Competitivo”, lançado em 2010 pela John Wiley & Sons e traduzido para o português em 2018, pela editora Sextante.

A obra, que conta com a colaboração de outros consultores, é vista até hoje como um norte para identificar e desenvolver personagens de liderança dentro das empresas.

Para isso, a metodologia sugere que a questão deve ser tratada com atenção especial à sua complexidade e aos diferentes fatores que afetam cada profissional. Daí vem o nome “pipeline” que, em português, se refere a um sistema de tubulação com diversas ramificações.

O que Charan propõe, portanto, é o uso de transformações e transições comuns em um ambiente corporativo para moldar futuros líderes. No próximo tópico, vamos apresentar como isso acontece na prática.

Como funciona o pipeline da liderança?

Para compreender e aplicar o pipeline de liderança desenvolvido por Ram Charan, é preciso abandonar a velha ideia de que a habilidade para liderar é necessariamente inata. Existem sim casos de líderes que parecem nascer prontos comandar, mas isso se trata de exceção, não de regra.

Em outras palavras, você deve enxergar a si mesmo — e a seus colaboradores — como seres plenamente capazes de desenvolver as qualidades necessárias para assumir um posto de comando. A partir desse entendimento, você será capaz de visualizar as diferentes etapas de transição que precisam ser superadas no caminho para a construção da liderança.

No livro já citado nesse texto, os autores indicam 6 estágios de transição fundamentais para o processo. Falaremos de cada um deles a seguir. Acompanhe!

Gestor de si para gestor dos outros

Todo profissional é, primeiramente, um gestor de si mesmo. Quando recém-chegado ao novo emprego, o colaborador dedica seu tempo à realização de tarefas delegadas por outros. Seu único papel é garantir a própria eficiência e produtividade, objetivo que, se alcançado com sucesso, pode colocá-lo em posição de destaque aos olhos da gestão.

Quando exerce a função com excelência e demonstra facilidade em se adequar à cultura da empresa, é natural que o colaborador ganhe novas responsabilidades. Esse momento marca a primeira etapa de transição no pipeline de liderança. Em vez de apenas cumprir tarefas designadas por outros, o colaborador passa a delegar afazeres.

O grande desafio nesse estágio é entender a mudança de mero executor para gestor. Os profissionais mais capacitados podem encontrar certa dificuldade, já que tendem a preferir realizar o trabalho com as próprias mãos. Se o desafio for superado, chegamos à segunda etapa do pipeline.

Gestor dos outros para gestor de gestores

O segundo estágio é marcado pela construção da base necessária para qualquer cargo de liderança. Isso porque, antes de mais nada, nessa fase, o profissional deve se desvincular completamente de sua antiga função, dedicando-se exclusivamente ao papel de gestor.

Aqui, é preciso desenvolver um olhar estratégico abrangente, inclusive para a seleção de outros líderes em potencial. Isso significa que os líderes de segunda linha, como são chamados, devem entender profundamente os valores da empresa e saber diferenciar os colaboradores com potencial de liderança daqueles que contribuem mais apenas executando tarefas.

Nesse estágio, técnicas relacionadas ao coaching são muito apreciadas, já que elas podem se tornar elementos importantes na seleção e no treinamento de novos gestores.

Gestor de gestores para gestor funcional

O terceiro estágio no pipeline de liderança se dá quando o profissional deixa de gerir outras pessoas para se dedicar à gestão de uma função dentro da empresa, muitas vezes abrangendo toda uma área do negócio. É o caso dos gerentes de marketing, vendas, RH, facilities etc.

Além das qualidades desenvolvidas nas outras etapas do pipeline, quem chega a esse ponto precisa contar com um profundo conhecimento sobre a área em questão. Isso deve estar aliado a uma capacidade avançada de analisar um cenário mais amplo e tomar decisões estratégicas em prol do desenvolvimento do negócio.

Ademais, existe uma qualidade primordial e imprescindível para um gestor funcional: a comunicação. Para exercer seu cargo com primor, tal gerente precisa estar em constante contato com outros setores da empresa, de modo a alinhar estratégias, integrar equipes e possibilitar um retorno cada vez maior para a companhia.

Gestor funcional para gestor de negócios

A quarta transição do pipeline acontece quando o gestor deixa de coordenar uma área específica para gerenciar o negócio de forma geral. Trata-se de uma estágio muito cobiçado, mas que também se destaca por ser considerado um dos mais desafiadores.

O desafio se explica pela grande quantidade de mudanças que ocorrem nessa etapa. Nela, o gestor deve se liberar parcialmente de tarefas de execução e focar primordialmente o aspecto analítico do trabalho. Isso significa que, além dos KPIs do negócio, o indivíduo passa a lidar com métricas mais amplas, como a participação no mercado e os lucros obtidos.

Além de monitorar os resultados financeiros em curto prazo, o gestor de negócios deve dedicar seu tempo à reflexão sobre o futuro da empresa. Isso exige uma compreensão de todos os setores da companhia e uma comunicação efetiva com os gestores de cada departamento.

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Gestor de negócios para gestor de grupos

Se você é bem-sucedido no gerenciamento de um negócio, não deve encontrar dificuldades em gerir um grupo de empresas, certo? Nem tanto. A quinta transição do pipeline diz respeito justamente a esse movimento, destacando os desafios envolvidos nele.

Gerenciar um grupo de negócios, além de multiplicar as responsabilidades do gestor, exige uma integração positiva entre os diversos setores e profissionais envolvidos no empreendimento. É preciso focar as ações com maior potencial de lucratividade, mas, ao mesmo tempo, cuidar para não agir contra a autoridade dos gestores menores.

De acordo com Ram Charan, existem 4 habilidades fundamentais que um gestor nesse estágio deve dominar. São elas:

  • capacidade de delegar recursos de acordo com a avaliação estratégica;
  • competência para selecionar e treinar gestores de negócio;
  • eficácia em desenvolver e implantar estratégias de portfólio;
  • capacidade de avaliar o potencial de sucesso de cada empresa.

Gestor de grupos para gestor corporativo

O último estágio do pipeline desenvolvido por Ram Charan leva o gestor a um dos postos mais cobiçados no mundo corporativo: o de CEO. Essa transição não é tão marcada pelo desenvolvimento de habilidades, mas sim pelos valores e pela ética de trabalho apresentados pelo profissional.

Um gerente corporativo deve reunir todas as habilidades e competências listadas ao longo do pipeline, mas, mais importante ainda, deve ser proativo no gerenciamento de fatores externos do negócio. Isso requer um olhar estratégico e atualizado em relação a fatores políticos, econômicos e tecnológicos que podem influenciar o mercado.

Nesse ponto, a visão adotada por um CEO excelente deve deixar de ser estratégica e se tornar visionária. Isso requer o desapego em relação a elementos menores, como os próprios clientes, produtos e colaboradores da empresa.

A ideia é focar a big picture, ou seja, o modelo operacional adotado pela companhia, desde a fase de desenvolvimento de soluções até o modo como elas são oferecidas ao mercado. Para isso, é fundamental que o CEO se cerque de gestores qualificados, ambiciosos e com potencial de alcançar grandes resultados.

O que fazer para desenvolver essa habilidade?

Se você chegou até este ponto do texto, já desconstruiu a ideia de que a liderança é uma habilidade inapta. Dessa forma, você entende que é completamente possível investir na própria capacitação e se transformar em um líder, ao menos em potencial. Mas, afinal, como fazer isso?

O primeiro passo, sem dúvidas, é o autoconhecimento. Entender seus pontos fortes e fracos é o pontapé inicial para toda a jornada, já que só assim é possível descobrir quais qualidades você deve focar em desenvolver. É importante encarar tudo isso como um processo, logo, acompanhar seu desenvolvimento é fundamental.

Assim, estabeleça metas e objetivos que tornem possível a avaliação periódica do seu progresso. Uma boa forma de começar é a partir do estabelecimento de um PDI, Plano de Desenvolvimento Individual.

Cada caso é um caso, mas alguns pontos não podem ser deixados de lado. Todos que aspiram assumir funções de liderança devem, além de dominar um extenso conhecimento do mercado, saber se comunicar efetivamente com outros membros da equipe e tomar decisões estratégicas baseadas em dados relevantes.

O pipeline de liderança é uma ferramenta muito valiosa para o desenvolvimento de líderes qualificados. Sua aplicação em empresas pode trazer grandes benefícios, já que facilita a avaliação de desempenho e a identificação de talentos. Além disso, o pipeline, a partir da geração de novos gestores, facilita o planejamento da linha de sucessão.

‘Uma forma muito interessante de desenvolver habilidades é investir na leitura de materiais relevantes. Por isso, seguindo a ideia deste artigo, separamos os 10 melhores livros sobre liderança para você se tornar um bom líder. Confira!

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