Entenda como funciona o processo de fusão de empresas

Geralmente realizado entre duas organizações/sociedades distintas, esse processo faz com que as participantes de uma fusão se juntem e formem uma única empresa.

Entenda como funciona o processo de fusão de empresas

    Empresas concorrentes nem sempre são rivais durante toda a sua existência.

    Em busca de vantagens para ambas, pode acontecer um processo de fusão, que sobrevém mediante um acordo firmado entre as partes.

    Embora seja simples na teoria, a fusão pode ser bastante complexa na prática, dependendo do tipo das empresas envolvidas no processo — e de seu tamanho. Ainda assim, as fusões continuam a ocorrer no mercado brasileiro e internacional, devido às suas vantagens.

    Para entender mais sobre esse assunto, veja a seguir como funciona o processo e conheça formas de vencer seus desafios.

    O que significa a fusão de empresas

    De modo simplificado, a fusão de empresas significa uma completa transformação para todas as envolvidas no processo.

    Geralmente realizado entre duas organizações/sociedades distintas, esse processo faz com que as participantes de uma fusão se juntem e formem uma única empresa.

    Isso significa que, se a empresa A e a empresa B passam por um processo de fusão, elas vão resultar na empresa C, que é uma terceira componente diferente das outras duas. É exatamente isso que diferencia esse processo de uma incorporação.

    Na incorporação, uma empresa deixa de existir, mas a outra se mantém — só que agora de forma expandida.

    Assim, a fusão significa um processo de mudança para todas as partes envolvidas, gerando uma empresa que mantém as obrigações e responsabilidades de suas originárias, mas que não segue, necessariamente, os mesmos processos de uma ou de outra.

    Quais são as vantagens

    Embora seja um processo complexo e que muitas vezes leva um tempo maior para ser executado, a fusão pode ser benéfica para as participantes dessa etapa. Dentre os benefícios, estão:

    Possibilidade de diversificação de mercado

    Por mais versátil que um negócio deseje ser, é invariável que ele acabe focando em um determinado nicho para atender melhor as pessoas que compõem o seu público-alvo.

    Embora isso gere uma atuação assertiva, também limita como a empresa se posiciona no mercado, já que há menos possibilidades.

    Quando ocorre a fusão, por outro lado, o horizonte de ambos os negócios se expande e há a possibilidade de realizar uma diversificação maior de mercado.

    Aumento da abrangência de marca

    Como há a união de dois públicos-alvo, a fusão de empresas normalmente tem um aumento da abrangência de marca.

    Como é improvável que as duas empresas compartilhem exatamente o mesmo público, há um ganho importante e completamente orgânico no alcance de público.

    Por si só, isso ajuda na robustez do negócio, que tem um número maior de pessoas a serem atingidas. Isso também aumenta as oportunidades de conversão em vendas.

    Aumento das receitas

    Com mais capacidade de mercado e exposta a um público maior, a nova empresa tem mais oportunidades de negócio.

    Daí, não é de se estranhar que a sua taxa de conversão também seja maior do que das outras duas empresas, separadamente.

    Com mais vendas e mais contratações há um aumento benéfico das receitas, gerando mais recursos para que o negócio continue se desenvolvendo.

    Esse processo, inclusive, colabora para resolver o rotineiro problema de saturação do mercado por parte das empresas, individualmente falando.

    Redução de custos

    A fusão de empresas é sinônimo de sinergia em busca de objetivos comuns.

    Como é necessário que haja uma completa reestruturação para que surja a nova empresa, os processos tendem a ser otimizados, os desperdícios são eliminados e, os gargalos, corrigidos.

    Como resultado, a nova empresa começa com uma estrutura mais enxuta, eficiente e com uma benéfica redução de custos.

    Além de aumentar a margem de lucro isso também permite o aumento de investimentos e o ganho de vantagem competitiva.

    Como reduzir o tempo de negociação

    Diminuição dos riscos de mercado

    Com o mercado altamente competitivo, qualquer ganho de vantagem competitiva faz a diferença.

    Levando em conta que a fusão de empresas permite uma união de esforços, a nova empresa se torna muito mais robusta às diversas modificações do mercado e passa a ser mais forte do que as duas, separadamente e antes da fusão.

    O resultado disso é que a nova empresa corre menos riscos de mercado já que consegue ter uma tomada de decisão mais estratégica, pois usa o know-how das duas empresas que existiam antes do processo.

    Melhores condições de atuação

    Quando duas empresas se fundem, a terceira que se forma normalmente é maior do que as duas outras.

    Com melhores perspectivas de mercado e com os riscos reduzidos, a sua atuação também fica mais facilitada.

    Obter financiamentos, por exemplo, é mais fácil, já que há um volume maior de vendas e mais robustez por parte da empresa, que também é maior.

    Com isso, as duas empresas conseguem se livrar de possíveis dificuldades que estivessem limitando o seu crescimento de maneira geral.

    Quais são as dificuldades

    Porém, como é de se esperar o processo não é simples e traz alguns obstáculos que precisam ser contornados. Por mais que ofereça todas essas vantagens, a fusão de empresas não oferece, por si só, nenhuma garantia para a nova empresa que vai surgir.

    Basta um descuido para que todos os esforços sejam em vão e a decisão se transforme em um grande problema organizacional. A fim de garantir o sucesso do processo, conheça os seguintes desafios:

    Unir processos e tecnologias

    Por mais que haja boas práticas de gestão, formais ou não, cada empresa toca o seu cotidiano de uma forma.

    Enquanto uma empresa busca a automação de tarefas para o máximo de produtividade outra pode ainda não ter adotado esse tipo de investimento.

    Na fusão, essas formas diferentes de fazer teoricamente a mesma coisa se encontram e precisam ser conjugadas corretamente.

    Isso porque não é relevante eliminar todos os processos de uma empresa em detrimento da outra — porque, afinal, não se trata de uma aquisição.

    Isso obriga gestores e colaboradores a encontrarem uma nova forma de fazer, juntos, o que una o melhor do que cada antiga organização tem a oferecer.

    Dificuldades na transformação de cultura

    Para que um negócio seja bem sucedido ele precisa ter valores e uma cultura que os coloque em prática.

    Como cada negócio possui sua própria visão de mercado e seus próprios objetivos, é comum que culturas sejam muito distintas entre empresas diferentes.

    Enquanto uma empresa oferece mais flexibilidade, por exemplo, a outra pode ser mais focada em uma gestão vertical.

    Quando há a fusão, essas duas culturas também devem se fundir e gerar uma nova visão que vá orientar todos dentro da nova empresa.

    Como é de se esperar, isso gera um verdadeiro choque cultural para ambos os lados, exigindo um tempo maior de adaptação para transformar as culturas que, até então, eram utilizadas e agora não são mais.

    Garantir a produtividade

    O processo de fusão de empresas pode ser demorado, mas ele simplesmente não pode interromper o funcionamento do negócio.

    Ao mesmo tempo em que a fusão acontece e é anunciada, a empresa precisa continuar produzindo e vendendo do melhor jeito possível.

    O grande obstáculo é que justamente estão acontecendo mudanças intensas e estruturais sobre todo o funcionamento da empresa.

    Com isso, há uma dificuldade inicial em manter o ritmo de produtividade, cumprindo acordos e aproveitando oportunidades, pois além de tudo isso ainda é necessário se adaptar à nova realidade.

    Esse desafio precisa ser vencido rapidamente, porque se a empresa fica parada esperando o processo de mudança se completar ela acaba perdendo a nova relevância de mercado que possui.

    Acompanhar os resultados

    No meio de tantas modificações ainda é preciso fazer uma gestão de qualidade que seja precisa e certeira ao mesmo tempo. Não é possível fundir as empresas e deixar que as coisas encontrem, por si só, o seu lugar.

    Em vez disso, é preciso estabelecer indicadores de desempenho , interno e externo, que indiquem quão bem-sucedido o processo está sendo.

    Mais do que isso, é necessário acompanhar de perto esses resultados, realizando as modificações necessárias para que seja possível chegar ao sucesso.

    Dicas para realizar a fusão de empresas da melhor forma possível

    Depois de pesar os desafios e as vantagens e concluir que a fusão é a melhor escolha, o ideal é fazê-la da melhor forma possível, gerando resultados consistentes. Dentre as melhores práticas, estão:

    Faça acordos claros

    É muito importante que tudo seja definido antes mesmo de a fusão acontecer, de fato.

    Quanto mais claro for o acordo entre as empresas, mais simples o processo se torna já que é menor a necessidade de lidar com imprevistos e objeções.

    Ainda durante a negociação é importante definir claramente a contribuição de cada empresa, como cada processo vai ser executado, em quanto tempo e quais são os resultados esperados.

    Quanto mais proteção há nesse sentido, melhores são os resultados.

    Tenha uma comunicação clara

    O processo de fusão pode ser estressante não apenas pela proporção que toma, mas também pela quantidade de transformações que traz para o cotidiano de todos os envolvidos.

    Dependendo do caso, isso gera insegurança e receio sobre o futuro do negócio.

    Para evitar essa situação, o ideal é ter uma comunicação clara e aberta com todos os colaboradores e mesmo com os fornecedores, que sofrerão impactos dessa mudança.

    Ventilar informações sobre o processo de maneira consistente oferece segurança e respaldo, além de aumentar o engajamento dos envolvidos.

    Defina responsabilidades

    O processo de mudança — qualquer que seja ela — precisa de um líder. No caso da fusão, não é diferente.

    Por isso, quando todos estiverem devidamente informados sobre o processo é muito importante definir responsabilidades claras para as pessoas certas.

    Em vez de querer promover mudanças em grupos maiores vale dividir a empresa em equipes menores que tenham líderes completamente alinhados à nova cultura.

    Isso permite um gerenciamento mais adequado, maior ganho de produtividade e um processo que demora menos tempo.

    Comece integrando pessoas

    Antes de pensar em começar a colocar os novos processos em prática é recomendado começar com a integração entre pessoas.

    Explicar a nova cultura, mostrar os benefícios da mudança e estimular o trabalho colaborativo são formas de gerar maior aderência por parte dos envolvidos.

    Depois desse processo inicial comece a integrar os processos. Com a ajuda das pessoas alinhadas à nova cultura, fica mais fácil conseguir processos otimizados.

    Esteja disposto a ouvir

    Um processo de fusão representa, na prática, o trabalho em equipe elevado à máxima potência.

    Não é possível completá-lo de maneira isolada e, sendo assim, é muito importante estar aberto a novas opiniões, sugestões e assim por diante.

    Quanto mais disposto você estiver a ouvir tanto as pessoas da outra empresa como seus próprios colaboradores, melhores são as chances de o processo realmente dar certo dentro do esperado.

    Não apresse a mudança

    Embora seja relevante determinar um tempo para que a fusão se conclua, até mesmo para fins de gerenciamento, apressar a mudança não traz resultados benéficos.

    Algumas vezes, é melhor estender o tempo necessário e conseguir um resultado melhor do que fazer tudo às pressas e comprometer a nova empresa.

    Por isso, é importante considerar que uma mudança desse porte leva tempo e exige passos bem estruturados. Dessa forma, é possível agir de maneira contínua e consistente em busca dos resultados.

    Exemplos de empresas nacionais que passaram pelo processo de fusão

    Desde as de maior porte até as menores, muitas empresas brasileiras já passaram por fusão.

    O principal objetivo, é claro, é aproveitar todas as vantagens oferecidas, gerando mais penetração e participação de mercado e melhor disputa com a concorrência.

    Em 2014, por exemplo, as empresas aéreas Azul e Trip decidiram se fundir, originando a Azul Trip. A união de forças criou a terceira maior empresa aérea brasileira, com 15% de participação de mercado à época.

    Alguns anos antes, em 2011, a Vtex e a WX7 se uniram. As empresas do ramo de TI empresarial eram concorrentes diretas, mas tinham soluções complementares.

    Com a fusão, a Vtex — o nome foi mantido, mas o processo foi de fusão — faturou quase três vezes mais do que as empresas conseguiam separadamente.

    Uma das maiores fusões no mercado brasileiro, entretanto, foi entre a Sadia e Perdigão. Concorrentes históricas, elas se uniram e formaram a Brasil Foods (BRF), que já nasceu sendo como uma das maiores do mundo no ramo alimentício.

    No ramo de varejo, uma fusão que chamou a atenção em 2009 foi entre o Pão de Açúcar e as Casas Bahia. Por meio da Globex, as duas empresas se transformaram em uma só, mas as marcas foram mantidas.

    Conclusão

    A fusão de empresas é uma forma de dois ou mais negócios juntarem esforços em busca demais competitividade e resultados melhores em geral.

    Nesse caso, as duas empresas foram uma terceira, que integra processos e pessoas das outras duas.

    Apesar de vantajoso, o processo pode ser desafiador e por isso é preciso colocar em prática dicas que tornem o processo otimizado.

    Um espaço de operações mais harmonioso também é algo indispensável para o sucesso do processo da fusão de empresas, bem como para a sustentabilidade da empresa nascente.

    Por isso, fique por dentro das melhores ferramentas digitais para garantir um ambiente de trabalho colaborativo.

    Indicadores de Marketing e OKR

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