Quais são as mudanças no mercado brasileiro para 2021

As mudanças no mercado brasileiro para 2021 têm tudo a ver com a pandemia. As transformações que o coronavírus causou no dia a dia das pessoas e nos hábitos de consumo ainda vão nos acompanhar por muito tempo. Então, vamos analisar agora como o mercado deve se comportar neste ano.

mudanças no mercado brasileiro

    Se a transformação digital ainda estava distante para a sua empresa, a pandemia do coronavírus certamente acelerou seus planos. Durante 2020, as empresas que não se adaptaram às mudanças no mercado brasileiro ficaram para trás

    A covid-19 fez as pessoas ficarem em casa e as empresas irem para a internet. Diante da necessidade de distanciamento social, o mercado também se transformou: as prioridades de consumo mudaram, as preocupações mudaram, as economias mudaram, as relações de poder mudaram.

    Definitivamente, 2020 foi um ano de mudanças, que não vão ser esquecidas tão cedo. Elas ainda vão repercutir no mercado brasileiro ao longo de 2021 e até depois.

    Por isso, vamos falar agora sobre as mudanças que devem marcar o ano de 2021 no Brasil, a partir do que a pandemia nos trouxe. Acompanhe agora uma retrospectiva de 2020 e as principais mudanças no mercado brasileiro que esperamos para este ano:

    O que 2020 trouxe de mudanças para o mercado brasileiro?

    Não há como falar do ano de 2020 sem falar de como a pandemia do coronavírus transformou a vida das pessoas de uma hora para outra.

    Tivemos que aprender a trabalhar de casa, com os latidos do cachorro e as obras do vizinho. Tivemos que aprender a usar máscaras para frear o contágio do coronavírus. Tivemos que procurar novas formas de entretenimento, já que encontros com amigos, festas e viagens ficaram suspensos. Tivemos que lidar com as preocupações, a crise econômica, as disputas políticas e outras questões que desafiaram a nossa saúde mental.

    Esse cenário complexo, é claro, também provocou mudanças no mercado brasileiro. Alguns negócios fecharam as portas em definitivo, porque não suportaram o peso da crise e da retração do consumo. Conforme o IBGE, 4 em cada 10 empresas que fecharam em 2020 relataram que o motivo foi a pandemia de covid-19.

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    Já outras empresas conseguiram sobreviver, com adaptações aos seus processos. E, diante do isolamento social e da suspensão das atividades presenciais, as empresas tiveram que correr para a internet.

    Quem não tinha e-commerce adaptou seus canais para a web. Quem já tinha e-commerce viu as vendas online explodirem — dependendo, é claro, do nicho de mercado, já que alguns setores tiveram perdas.

    Um relatório sobre comportamento do consumidor em 2020 mostrou que foram mais de 20 milhões de novos compradores online no Brasil. Isso representa 47% de todas as pessoas que compraram pela internet no ano. Com essa migração para o ambiente online, o marketing em 2020 também foi essencialmente digital.

    E, para muitas empresas, tudo isso teve que ser feito da noite para o dia. Se a velocidade das transformações no mundo já estava acelerada nos últimos anos, 2020 foi um propulsor. As empresas tiveram que ser ainda mais ágeis para se adaptar a cenários que mudavam a cada dia.

    Mas, passada a primeira onda da pandemia no Brasil, o cenário mudou um pouco. Já cansados da quarentena, muitos brasileiros deixaram o “fica em casa” de lado e foram aos bares, restaurantes, festas e encontros, muitas vezes sem qualquer atenção aos protocolos de saúde. Esse comportamento, embora temerário, aqueceu o mercado e retomou alguns hábitos de consumo.

    No gráfico abaixo, você pode ver como a percepção dos impactos da pandemia mudou na metade do ano. O efeito negativo foi se dissipando, e muitas empresas perceberam um pequeno impacto ou até um efeito positivo sobre os seus negócios.

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    Fonte: IBGE

    Mas 2020 não foi só ano de pandemia. Não bastasse a preocupação com o vírus, inúmeros acontecimentos políticos entraram nas rodas de conversa virtuais e foram motivo de discussões e dores de cabeça para os brasileiros. Ao longo do ano, o clima político no Brasil só se acirrou e criou instabilidades para o cenário econômico que já era desastroso.

    Mas as palavras “I can’t breathe” também não podem ficar de fora de uma retrospectiva de 2020. O assassinato de um homem negro, George Floyd, por um policial branco nos Estados Unidos motivou manifestações antirracistas no mundo inteiro. No Brasil, a discussão se ampliou com outros casos, como o assassinato também de um homem negro, João Alberto, por seguranças do Carrefour.

    Esses casos motivaram reflexões sobre práticas que precisam mudar — não só no dia a dia das pessoas, mas também das marcas. As empresas já não podem mais ficar alheias a esses debates, que envolvem o racismo, mas também o machismo, a violência de gênero e qualquer tipo de discriminação e opressão, além de preocupações sociais e ambientais.

    Então, quando falamos da necessidade de transformação digital imposta pela pandemia, não nos referimos apenas ao uso de ferramentas como redes sociais ou e-commerce. A transformação digital é uma mudança profunda de cultura para colocar as empresas na era digital.

    Nessa era digital, as empresas precisam aprender a lidar com a agilidade das mudanças, com o ativismo nas redes, com o engajamento dos consumidores nos problemas sociais, com novas formas de trabalho. E tudo isso é permeado pela tecnologia. Essa é a transformação digital que as empresas devem absorver.

    Quais são as principais mudanças no mercado brasileiro para 2021?

    Mudanças tão profundas e complexas na vida dos brasileiros não vão ser esquecidas. A pandemia transformou hábitos, comportamentos, relações e opiniões. Nas empresas, transformou processos, ferramentas e modelos de trabalho.

    Muitas dessas transformações já estão absorvidas. Por isso, a partir de 2021, elas vão estar presentes e influenciar os comportamentos de consumo.

    A seguir, vamos ver quais são as principais mudanças no mercado brasileiro para 2021, considerando o ano de pandemia que vivemos.

    Cenário de crise e expectativa

    A conjuntura econômica e política é essencial para analisar as mudanças no mercado brasileiro que esperamos para 2021.

    2020 foi um ano em que a economia mundial e o mercado financeiro presenciaram quedas sem precedentes. O medo da pandemia, o desemprego, a retração do consumo, as crises políticas e outros diversos fatores levaram a uma crise no Brasil que ainda tende a repercutir por muito tempo.

    Os economistas projetam que o PIB do Brasil tenha recuado 4,3% em 2020. Em dezembro de 2020, o índice de medo do desemprego cresceu 2.1 pontos em relação a setembro de 2020 e 1 ponto em relação a dezembro de 2019.

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    Mas o ano de 2021 já começa com a esperança da vacina. Mesmo ainda em ritmo lento, a vacinação é motivo de expectativa para que o cenário melhore.

    Atualmente a expectativa de crescimento do PIB para 2021 é de 3,4%. Além disso, em dezembro de 2020, o índice de confiança do consumidor teve uma leve recuperação.

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    O que esperamos, então, é uma retomada gradual das atividades, à medida que a vacinação reduzir as mortes, internações e infecções devido à covid-19. Porém, o ceticismo com a doença no Brasil e o cenário de crise ainda devem nos acompanhar por muito tempo e impactar o consumo e o desempenho das empresas.

    E-commerce em alta

    Se muitos hábitos trazidos pela pandemia vão continuar por aí, um dos principais são as compras online. A tendência já era de crescimento do e-commerce nos últimos anos, mas 2020 conseguiu levar ainda mais empresas e consumidores para a internet.

    O medo de ir às lojas físicas e a comodidade de comprar e receber produtos em casa provavelmente ainda vão manter o e-commerce em alta, mesmo que as atividades presenciais sejam retomadas.

    Pelo lado das empresas, vamos ver ainda muitas lojas surgindo na internet ou entrando em marketplaces. Entre as empresas que já estão online, a tendência é aumentar as vendas e aprimorar a experiência do cliente, principalmente no mobile, para conquistar a sua confiança.

    E essa experiência não está apenas na loja virtual, na hora da compra. Está em todos os momentos de contato do consumidor com a marca no ambiente digital. Por isso, a tendência do marketing digital é continuar em crescimento em 2021, como forma de aumentar a visibilidade da marca e se aproximar do consumidor em toda a sua jornada de compra.

    Quem entrou no digital não sai mais. Isso vale tanto para consumidores quanto para empresas. Se havia uma resistência antes de 2020, a pandemia deu o empurrãozinho que eles precisavam.

    Marcas e consumidores ativistas

    A pandemia do coronavírus escancarou a fragilidade humana. Um inimigo invisível levou inúmeras vidas, balançou economias, acentuou desigualdades, derrubou negócios, fragilizou nossa saúde.

    A doença fez o ser humano se questionar sobre o que estamos fazendo aqui. O aumento do abismo entre ricos e pobres, a destruição do planeta e o excesso de trabalho, por exemplo foram temas de conversas ao longo do ano. Em meio a tudo isso, as manifestações antirracistas também nos fizeram questionar sobre as relações humanas e o respeito à diferença.

    Não, não estamos dizendo que “vamos sair melhores” dessa situação. Mas diversas questões que apareceram com força em 2020 tendem a repercutir ainda nos próximos anos e mudar a forma como vivemos.

    E é claro que essas mudanças impactam também nas marcas. Nesse contexto, muitos consumidores passaram a comprar de negócios e produtores locais, ao se conscientizarem da importância dos pequenos negócios na economia, na geração de empregos e na sustentabilidade.

    Muitas pessoas também passaram a cobrar de marcas e influenciadores um posicionamento diante dos problemas sociais. Os influencers que continuaram normalmente suas vidas ou publicaram “partiu aglomerar!”, sem qualquer empatia diante da pandemia, foram cancelados.

    Bia Granja, do YOUPIX, propõe uma mudança no mundo da influência que vale também para as marcas: da ostentação para a consciência coletiva, do engajamento superficial para a construção de um legado.

    Marcas e influenciadores precisam olhar menos para os números e mais para as pessoas. Precisam se tornar mais humanas para serem mais relevantes no mundo.

    2021 promete ser um ano em que os consumidores não vão mais aceitar marcas alheias às discussões importantes. É claro que elas não vão deixar de vender e lucrar, mas elas também vão precisar passar por uma tomada de consciência e se posicionar.

    Saúde, bem-estar e segurança

    Em um cenário de incertezas, medo e ansiedade, a procura por informações, produtos e serviços relacionados a saúde, bem-estar e segurança aumentaram. Na hierarquia das necessidades humanas, nos voltamos para a base da pirâmide de Maslow.

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    Nesse contexto, setores como alimentação saudável, mercado fitness, cosméticos naturais, DIY, atendimento psicológico e aplicativos de finanças se destacaram em 2020 e tendem a movimentar o mercado em 2021. Inúmeros negócios e produtos surgiram nessas áreas e ainda podem surgir no contexto da pandemia e da retomada da economia.

    O Pinterest Predicts, que aponta tendências para o próximo ano, mostrou que uma das previsões é o aumento das buscas por atividades manuais. Para as marcas, pode ser a oportunidade de ajudar as pessoas a descobrirem novos hobbies e se inspirarem nas suas atividades diárias.

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    Outra previsão do estudo é a busca por conforto na moda. Em 2021, vamos continuar querendo usar roupas confortáveis, mas não apenas em casa como em 2020. Para as marcas, pode ser uma oportunidade de proporcionar aconchego em momentos tão complicados, enquanto a pandemia não passa.

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    Saúde, bem-estar e segurança sempre foram preocupações do ser humano. Mas 2020 mostrou como são importantes para levar a vida com mais leveza. Por isso, esses temas ainda vão movimentar as mudanças no mercado brasileiro em 2021.

    A tecnologia no mercado de trabalho

    2020 lançou inúmeros desafios para o mercado de trabalho. A começar pelo home office: diante da necessidade de distanciamento social, as equipes passaram a trabalhar em casa, com reuniões à distância e até happy hour remoto.

    Apesar das dificuldades de adaptação, especialmente para quem mora com filhos e outras pessoas em casa, o trabalho remoto se tornou opção viável, até mesmo para depois que a pandemia passar. Nos Estados Unidos, 30% dos trabalhadores disseram que largariam seu emprego caso tivessem que retornar ao escritório depois da pandemia.

    Em 2021, provavelmente veremos muitas empresas com colaboradores remotos, com modelos de trabalho híbrido ou ainda oferecendo ao colaborador a opção de alguns dias de trabalho à distância na semana. Com isso, as empresas têm a oportunidade de reduzir seu espaço físico, tornar a operação mais enxuta e ainda ganhar produtividade.

    Com o aumento do trabalho remoto e a transformação digital das empresas, outro movimento forte para 2021 é o aumento dos nômades digitais — profissionais que, sem escritório fixo, podem viajar o mundo enquanto trabalham. Já existem países que emitem vistos específicos para quem trabalha de forma remota.

    Modelos de trabalho ainda precisam ser repensados para uma época em que a tecnologia e as ferramentas permitem trabalhar à distância e ter resultados até melhores. O desafio agora é aprender a gerenciar e trabalhar com equipes remotas ou híbridas, especialmente com as metodologias ágeis de trabalho.

    A tecnologia, aliás, vai se mostrar cada vez mais propulsora de mudanças no mercado de trabalho. Não é por acaso que as principais profissões do futuro estão atreladas à tecnologia, como growth hacking, programação, ciência de dados e proteção de dados.

    Atividades como essas vão se destacar no mercado de trabalho em 2021 e provocar mudanças nas profissões mais tradicionais, que devem se adaptar à chegada de novas tecnologias e novos profissionais.

    A tecnologia provoca mudanças não apenas nas contratações, mas também na criação de negócios. O empreendedorismo digital ganhou força em 2020, com inúmeros negócios nativos digitais, tanto B2B quanto B2C. Para muitas pessoas, diante dos obstáculos da pandemia, a internet foi a solução para gerar ou complementar renda.

    Enfim, perceba como a pandemia do coronavírus pisou no acelerador das mudanças. E as empresas que não acompanharam a velocidade ficaram para trás. Mas quem se adaptou e absorveu as mudanças deve enfrentar os desafios de 2021 com mais força.

    A expectativa é de recuperação, diante da vacinação e da gradual retomada da economia. Mas não há como prever nada, principalmente no Brasil, com suas complexidades e contradições. Por isso, é preciso estar sempre de olho nas tendências e movimentos que apontam as mudanças no mercado brasileiro e como se preparar para elas. Não há dúvidas que 2021 ainda vai ser um ano desafiador para as empresas.Agora, aproveite para ler também sobre as principais lições de marketing dos pequenos negócios para as grandes empresas. Quem sabe você se inspira com algumas ideias para superar tempos de crise, não é?

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