O Marketing de Conteúdo fez o Jaspion ter sucesso no Brasil? Entenda o caso!

O Marketing de Conteúdo envolve a produção de conteúdos que geram oportunidades comerciais para uma empresa. Mas, qual é a relação que o Jaspion tem com esse tipo de estratégia? Para responder essa curiosa pergunta, fizemos a produção deste blog post! Confira!

jaspion marketing de conteúdo

    Quem tem mais de 30 anos de idade certamente se recorda do Jaspion, o herói japonês de armadura metálica que combatia monstros gigantes e que fez grande sucesso na televisão do Brasil durante os anos 80 e 90. Todos os meios de comunicação da época dedicavam, pelo menos, um espaço para falar sobre o personagem nipônico que conquistava cada vez mais os brasileiros.

    Por sinal, até hoje ele é lembrado por muitas pessoas que viam o seriado na época a ponto de um programa de TV do próprio Japão ter dedicado uma reportagem para falar do quão popular o personagem é por aqui conforme mostra este vídeo.

    Bom, mas este é um blog sobre Marketing, certo? Por isso, trazemos aqui o seguinte questionamento: o Marketing de Conteúdo fez o Jaspion ter sucesso no Brasil? Para saber a resposta, continue a leitura deste post que passará pelos seguintes pontos:

    Vamos lá!

    Quem é o Jaspion?

    Jaspion é uma série do gênero tokusatsu cujo termo original é “tokushu kouka satsuei” significa “filme de efeitos especiais”. Portanto, as aventuras do Jaspion – tal como diz este artigo super completo sobre o personagem escrito pelo Toku Blog – trazem um herói cujos combates contra o mal são recheados de efeitos especiais.

    Por sinal, elas começam no dia em que Jaspion, um jovem criado em outro planeta desde sua infância, recebe do profeta espacial Edin a missão de proteger o universo das garras do Satan Goss. Como um dos objetivos do vilão  é transformar a Terra no Império dos Monstros, ambos acabam vindo ao terceiro planeta do Sistema Solar e passam a travar suas lutas aqui. 

    Todas as séries tokusatsu possuem categorias específicas. Jaspion, por exemplo, é a quarta série do gênero Metal Hero que, em via de regra, tem como característica principal protagonistas que trajam armaduras metálicas e protegem o mundo de ameaças vindas da Terra, de outras dimensões ou do espaço sideral.

    Esse gênero começou no Japão no ano de 1982 com a trilogia das séries Uchuu Keiji (conhecidas por aqui como Policiais do Espaço). Seu sucesso fez surgir uma quarta série visualmente similar, embora sem conexão com as anteriores: Jaspion, em 1985.

    Como Jaspion chegou ao Brasil?

    Jaspion foi a primeira série do estilo Metal Hero a chegar aqui e sua vinda a terras tupiniquins tem uma história bem interessante! 

    Sua distribuição no Brasil começou em 1987 quando Toshihiko Egashira, dono de uma videolocadora no bairro japonês da Liberdade em São Paulo, percebeu o interesse do público em geral por esse tipo de seriado.

    Isso o fez trazer duas séries tokusatsu ao país: Jaspion e Changeman, representante do gênero Super Sentai que serviu como base para o surgimento dos Power Rangers. O lançamento nas videolocadoras com o selo da empresa de Toshihiko, Everest Vídeo, não teve a aceitação esperada, mas a estreia na TV aberta pela extinta Rede Manchete fez muita gente vibrar a cada episódio dos novos heróis!

    O que é Marketing de Conteúdo?

    Bom, agora que você sabe (ou lembra, dependendo da idade) quem é o Jaspion, passemos para o próximo ponto deste artigo: a definição do que é Marketing de Conteúdo.

    Marketing de Conteúdo é uma estratégia de Marketing Digital que tem como foco a atração do público-alvo de um determinado segmento e engajá-lo para transformar parte dele em clientes. Assim, cada conteúdo produzido deve conseguir atrair e causar uma percepção de marca positiva a ponto de, consequentemente, gerar mais oportunidades de negócio.

    Apesar de ser mais aplicado em blogs corporativos e outros canais da internet, o Marketing de Conteúdo é bem mais antigo que o tempo em que a rede mundial de computadores passou a fazer parte das nossas vidas.

    Conforme aponta Vitor Peçanha, co-fundador da Rock Content, nesta aula do seu curso gratuito de Marketing de Conteúdo, estratégias de conteúdo já eram aplicadas desde o começo do século passado. Por exemplo: o Michelin, guia de supermercados e restaurantes, era publicado por uma empresa francesa que fabricava pneus.

    Porém, qual a finalidade disso se o negócio deles era automotivo e não gastronômico? Em 1929, ano de lançamento do guia, as pessoas não usavam tanto seus carros quanto nos dias de hoje. Mas, ao fazê-lo motivadas a visitar os restaurantes apontados no guia, elas precisariam trocar os pneus de seus veículos com mais frequência.

    Funil do marketing: como transformar conteúdos em vendas

    Ok, mas bons conteúdos produzidos por uma empresa realmente pode fazê-la vender mais? A resposta é sim. Porém, o conteúdo precisa ser muito bom e relevante para o público que o consome. Vamos ver um exemplo?

    A Rock Content redigiu um blog post sobre Marketing Digital, o mais completo da internet, a ponto de ter conseguido conquistar a posição número 1 no Google. Desde então ele se tornou o maior ativo da empresa, pois foi capaz de trazer uma receita de R$ 2 milhões em 3 anos.

    Mas, como isso é possível? De que maneira um texto de blog é capaz de trazer um faturamento assim? Bom, isso acontece porque ele não é apenas o melhor texto sobre o assunto, mas parte de uma estratégia que tem como base o funil do marketing.

    O funil é composto por três estágios: topo (atração), meio (engajamento) e fundo (conversão). Vamos ver agora como ele funciona na prática em cada um desses níveis:

    • topo do funil: neste primeiro momento, o público se encontra com um problema;
    • meio do funil: aqui ele passa a buscar soluções para o problema que tem;
    • fundo do funil: por fim, ele consegue resolver o problema.

    A linguagem está muito “marqueteira”? Então, vamos jogar o conteúdo produzido pela Rock Content no funil para vermos como, na prática, o texto foi capaz de gerar um faturamento milionário:

    • topo do funil da Rock Content: o público que está com problema ou dúvidas sobre Marketing Digital realiza uma pesquisa no Google sobre o assunto e chega até o blog post após encontrá-lo nos resultados da busca;
    • meio do funil da Rock Content: algumas pessoas desse público, dispostas a entender ainda mais sobre o assunto, passam a consumir outros materiais da Rock Content (e-books, infográficos, planilhas, entre outros) e se relacionar com ela por meio de canais como redes sociais e e-mail;
    • fundo do funil da Rock Content: parte dessas pessoas tem empresa e começa a se perguntar o que a Rock Content, cujos conteúdos acompanha, pode fazer pelo seu negócio e se torna cliente.

    Por essa razão a estratégia de Marketing de Conteúdo é representada por um funil que se encontra presente na venda de qualquer tipo de produto ou serviço.

    Ok, mas o que o Jaspion tem a ver com o Marketing de Conteúdo?

    Ora, a resposta dessa pergunta é simples: assim como cada blog post da Rock Content é uma chance de gerar novos negócios, o mesmo ocorre com cada episódio do Jaspion. Na realidade, isso não ocorre somente com o Jaspion, mas com outras séries do gênero tokusatsu cujo objetivo final é vender os produtos relacionados, sobretudo os brinquedos. 

    Aqui neste artigo focamos no Jaspion a título de exemplo e como foi a estratégia comercial da série no mercado brasileiro. Vamos ver essa representação no funil do marketing?

    Topo do funil: episódios do Jaspion

    Os episódios do Jaspion têm a finalidade de atrair o público a acompanhar as suas aventuras. Alguns dos motivos que fizeram a série ganhar a atenção do público brasileiro no final dos anos 80 foram: personagens cativantes, coreografias acrobáticas (que ainda não eram vistas em séries do tipo que passaram aqui na década de 70 como Ultraman e National Kid) e histórias envolventes.

    Por isso dissemos anteriormente que os conteúdos precisam ser bons para conquistar o público, isso Jaspion tem de sobra vide episódios lembrados até hoje pelos fãs como “O sonho do menino galáctico” (estrelado pelo monstro Namaguideraz) e “A morte de MacGaren” (que mostra a primeira derrota do vilão e o surgimento de outra igualmente poderosa: a Bruxa Galáctica Kilza).

    Meio do funil: produtos do Jaspion

    O público-alvo do Jaspion (ao menos quando foi produzido em 1985) é o infantil e no Brasil não foi diferente. Era muito comum ver crianças imitando as poses do personagem e exclamando os nomes de seus golpes e armas. 

    Aliás, esta é uma característica típica desse tipo de seriado: os heróis fazem uma espécie de apresentação própria antes das lutas (que os fãs de tokusatsu chamam de “roll call”), além de dizerem os nomes dos seus golpes, veículos e armamentos durante a luta. No caso do Jaspion, são:

    • “Alan Moto Space!”
    • “Gaibin!”
    • “Gigante Guerreiro Daileon!”
    • “Spadium Laser!”

    No caso, Alan Moto Space, Gaibin e Daileon são seus veículos enquanto a Spadium Laser é a espada laser com a qual ele derrota os inimigos. Mas, por que Jaspion sempre diz o nome de todas elas durante os episódios? Simples: marketing!

    Levando em conta que cada episódio é um conteúdo destinado à venda de produtos, por que não incentivar o público a comprá-los durante sua transmissão

    Toda vez que esses veículos e armas aparecem, eles são mostrados em plano detalhe, primeiro plano ou médio plano. Também costumam ser acompanhados de algum fundo musical emocionante. Isso é feito de propósito para envolver o espectador a querer comprar os brinquedos baseados neles. 

    Fundo do funil: vendas dos produtos do Jaspion

    Apesar de os bonecos do Jaspion (como este, por exemplo) serem fabricados no Japão pela Bandai (a mesma que fabrica os bonecos de linhas famosas como Cavaleiros do Zodíaco e Dragon Ball), importá-los seria muito caro nos anos 80 de modo que a produção ficou a cargo nacional pela extinta Glasslite.

    Não demorou muito para as propagandas tomarem conta dos intervalos comerciais, abaixo você pode conferir o mais conhecido que apresenta os bonecos dos personagens principais, além de veículos (que, por sinal, não pertenciam à série por serem reaproveitados de outras coleções da Glasslite).

    jaspion marketing
    Clique na imagem para ver o vídeo

    Embora os bonecos tenham liderado a oferta de produtos do Jaspion, o comércio dos anos 80 e 90 trouxe muitos outros que levavam a marca do herói como, por exemplo:

    Tudo isso fez Jaspion se tornar um enorme sucesso tanto em termos televisivos quanto comerciais durante o tempo em que a série esteve em exibição no Brasil. No começo dos anos 90 a Rede Manchete encerrou sua transmissão, embora ela tenha sido exibida novamente em outras emissoras nos anos seguintes, sem, contudo, repetir o sucesso inicial.

    A promoção dos produtos do Jaspion no Brasil foi feita por meio de permuta publicitária?

    Sim. Mas, primeiro vamos entender como funciona a vinculação de propagandas publicitárias nas emissoras de TV.

    Todos os programas exibidos na programação dos canais possuem intervalos comerciais para que anunciantes possam promover seus produtos, o preço depende do tempo de inserção (que pode variar de 15 até 30 segundos) e, claro, do programa.

    Dessa forma, quase todas as séries e filmes estrangeiros que são exibidos na TV são comprados pelas emissoras que, ao exibi-los, disponibilizam espaço para publicidade em seus intervalos. Quanto mais popular for o programa, mais cara é a promoção dentro dele.

    No caso do Jaspion e Changeman – que estrearam juntos na Rede Manchete – não foi realizada a venda das séries e sim uma permuta

    Conforme aponta este artigo publicado na Folha de São Paulo no dia 29 de janeiro de 1989 (agradecimento ao jornalista Matheus Mossmann do Blog Dyna Black Asylum por fornecer o material), os dois seriados foram cedidos para a Rede Manchete em troca de quatro minutos de espaço publicitário na emissora entre 16h e 18h, período em que os episódios eram exibidos.

    Assim, a emissora “ganhava” duas séries de qualidade para a sua programação infantil enquanto sua distribuidora, Everest, promovia a venda dos produtos para aumentar seu faturamento. Somente o “Change Kit” – que trazia o conjunto de máscara, escudo e espada dos Changeman – vendeu 168 mil unidades naquele ano. Confira abaixo a propaganda.

    changeman marketing
    Clique na imagem para ver o vídeo

    Jaspion ainda é exibido no Brasil?

    Sim, atualmente a série pertence à distribuidora Sato Company que também detém os direitos de outros heróis japoneses da época: Changeman, Flashman, Jiraiya e Jiban.

    A série é exibida todos os domingos na Band – ao lado de Changeman e Jiraiya – e também se encontra disponível via streaming no Amazon Prime que conta com outros títulos nipônicos como GARO e Kamen Rider Amazons, ambos destinados ao público adulto em vez do infantil.

    Então, o Marketing de Conteúdo fez o Jaspion ter sucesso no Brasil?

    Como pudemos conferir neste artigo, a vinda da marca Jaspion ao Brasil passou por uma estratégia fundamentada no funil de marketing que existe no mercado antes mesmo da série cogitar ser produzida.

    Portanto, a resposta para essa pergunta é sim. Apesar de que Jaspion também poderia ter sido bem sucedido se fosse comprado e exibido pela emissora em troca de venda de espaço publicitário, o formato de permuta escolhido pelos responsáveis da série no Brasil para estimular a venda dos brinquedos e outros produtos não pode ser desconsiderado quando o assunto é o sucesso do herói no país. 

    Por falar em anúncios publicitários, você tem ideia de quanto custa a inserção de uma propaganda no intervalo comercial dos programas das principais emissoras de TV? Quanto custa promover um produto no intervalo do Big Brother? E do Jornal Nacional? E do Chaves? Confira a tabela neste artigo que escrevemos sobre o tema!

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