Por Raphael Pires

Publicado em 5 de março de 2020. | Atualizado em 5 de março de 2020


O processo criativo é a base da estruturação de boas ideias para um projeto. Times e profissionais precisam se guiar por etapas que permitem os estudos da situação para, então, chegar à solução do problema, ou seja, o desenvolvimento da campanha ou da ação.

Um bom processo criativo e ótimas ideias são a base de uma agência capaz de desenvolver projetos variados, para todos os segmentos e empresas. No entanto, não se consegue essa inspiração de uma hora para outra, simplesmente sentando e esperando. O processo criativo é o que ajuda a estruturar as linhas de pensamento e chegar a boas ideias, mas com conceitos sólidos e realmente valiosos.

O desafio se trata justamente de implementar um processo criativo nas agências. São metodologias que devem seguir etapas importantes para que uma ideia surja pronta e que, principalmente, ela faça sentido para o projeto ou a campanha em questão. Nesse ciclo, também é importante ultrapassar alguns obstáculos para criar com qualidade.

Neste post falamos mais sobre o processo criativo e de que maneira ele pode ser desenvolvido. Conheça suas etapas e saiba quais ferramentas utilizar.

O que é processo criativo?

O processo criativo é o processo de estruturação de um pensamento com o objetivo de exercer a criatividade em prol de alguma atividade necessária. Dessa forma, executar um processo criativo é direcionar os esforços para capacitar um time ou uma pessoa a ter mais ideias.

Em agências, é fundamental ter um processo criativo estruturado e entendido como o padrão para chegar a boas ideias em qualquer desafio, seja uma campanha de grande porte, seja uma simples ação. O que realmente faz esse processo ser eficiente não é somente sua execução em si, mas tê-lo como uma prática estável e recorrente, de forma que seja mais bem compreendido e fortalecido.

Quais são as etapas do processo criativo?

O processo criativo utilizado hoje é resultado das teorias de Graham Wallas, psicólogo inglês que em 1926 desenvolveu uma teoria, a Arte do Pensamento. A ideia era justamente implementar um processo criativo que, em quatro estágios, permitisse gerar ideias mais embasadas, com bases sólidas, que pudessem solucionar problemas.

O modelo, seguido até hoje, leva o nome de 4-stage model, e é dele que se baseia o processo criativo atual, seguindo quatro etapas de estudos e aprofundamento no tema para dar vida a boas ideias. A seguir, confira quais são essas fases de um processo criativo tradicional.

1. Preparação

A fase de preparação é o momento de entendimento da questão que permeia o time ou o criativo. Aqui, devem ser feitos questionamentos sobre o que se pretende para aquele projeto, quais deveriam ser os melhores caminhos a seguir, quem é o público-alvo, qual é a marca, entre outros pontos. Essa é uma fase de assimilação, em que a ideia é justamente estruturar o principal da ideia.

Na preparação, de maneira consciente e condutiva, o criativo prepara o cérebro com as principais informações sobre o desafio a ser superado. Para facilitar a compreensão, é possível considerar essa etapa como uma de estudo e pesquisa sobre tudo relacionado ao produto, ao conceito da campanha (se houver), à empresa, ao segmento e a tudo que tenha impacto direto na preparação de boas ideias.

2. Incubação

O período de incubação é o oposto do anterior, sendo mais uma fase inconsciente, em que todas as informações que foram coletadas e estudadas devem trabalhar de forma independente no cérebro. Na prática, se trata realmente de um período em que não se aplicam muitas ferramentas, mapas mentais ou algo concreto: simplesmente a vida segue normalmente.

Por mais que isso pareça estranho, é parte do processo que visa permitir a mente humana a realizar associações mais concretas em relação às ideias que você teve. Com elas assimiladas na primeira fase, agora o cérebro é capaz de priorizá-las, e então as ideias começam a surgir. Nesse período, aproveite o ócio, se dedique a outros projetos e faça outras coisas necessárias.

3. Iluminação

Sabe aquele momento nos desenhos animados em que a lâmpada aparece em cima da cabeça do personagem? É basicamente disso que se trata a etapa da iluminação, e o nome dela faz jus ao que realmente acontece. É nessa fase que a ideia surge, justamente porque você já teve um estudo profundo sobre as informações e já permitiu o trabalho inconsciente do cérebro.

Em sequência a essa fase em que você pouco intervém, os pensamentos começam a ficar mais concretos e as ideias são mais claras na sua cabeça. A partir disso, já com total controle e atividade, o criativo começa a pensar por conta própria no projeto e se estimula a encontrar soluções, só que muito mais inspirado e com boas bases. É nessa fase que as ideias vêm!

4. Implementação/verificação

Boas ideias são animadoras e dão o ânimo necessário para aplicar todos os pensamentos no projeto em questão, mas nem sempre isso garante o sucesso buscado. A etapa de implementação/verificação é o momento em colocar em prática o que foi pensado para o desafio em questão — estamos falando de uma fase mecânica e mais operacional dos quatro estágios.

Nesse momento, o que se tem como ponto de partida é uma boa ideia, mas por si só, ela não garante o desenvolvimento de um trabalho realmente concreto e que gere uma campanha ou uma ação, por exemplo. A última fase do processo criativo se resume em estender essa ideia para um produto em si, aplicando de forma que ela realmente gere um resultado dentro do que foi pensado.

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Que obstáculos é preciso ultrapassar em todo processo de criação?

Ideias inovadoras não surgem da noite para o dia em um simples estalar de dedos. Como você viu, o processo criativo é composto de etapas estratégicas em que se estuda sobre toda a situação, para então trabalhar de forma inconsciente e consciente. É possível encontrar alguns empecilhos durante esse processo, seja na implementação, seja nos estudos das ideias.

Todo processo criativo tem obstáculos, e muitas vezes eles são simplesmente operacionais, relacionados ao cotidiano de uma agência. Em alguns momentos, a cobrança excessiva também pode prejudicar o criativo que cuida do projeto. A seguir, entenda quais possíveis dificuldades podem gerar entraves durante o processo criativo.

Receio de críticas

O bom uso da autocrítica é um exercício fundamental para todos nós, e a eficácia da sua aplicação não é diferente no processo criativo. É importante ter esse discernimento do que vai ou não funcionar na ideia, mas sem deixar que isso seja altamente restritivo — o que pode até mesmo causar bloqueios criativos ou inibir o surgimento das ideias.

Muitos criativos se deixam prejudicar pelo medo de críticas relacionadas aos seus projetos, o que gera uma autocrítica excessiva ou até mesmo a insegurança na hora de criar. Nenhum grande profissional desenvolveu bons projetos sem algum dia ter errado. É fundamental não ter medo e, principalmente, saber extrair algo de positivo em cada feedback.

Falta de direcionamento

Algumas agências podem ter problemas na sua gestão de equipes criativas, o que vai impactar diretamente nas etapas de trabalho e no bom andamento dos projetos. Os criativos podem sentir falta de um suporte mais dedicado na hora de desenvolver uma ideia para determinado projeto. Em meio a isso, a falta de direcionamento pode pesar na tomada de decisão da ideia em si.

A fase final (implementação/verificação) é o momento em que se faz necessária a definição clara e exata de quais devem ser os direcionamentos daquela campanha ou projeto. Uma boa ideia pode não se transformar em um trabalho sólido e bem alinhado com o que o cliente pretende se o criativo não teve clareza desse desejo. O direcionamento é a base de resultados satisfatórios.

Justificativa para tudo

Justificar uma decisão é algo comum e que faz parte da construção de uma ideia ou de um projeto já concreto. Faz todo sentido que o criativo busque responder a cada movimento que realiza no desenvolvimento de um trabalho, mas isso também não pode se tornar algo excessivo. Aqui, o problema gerado pode ser o mesmo quanto ao receito de críticas: bloqueio criativo.

A busca constante por justificar cada ponto da ideia pode impactar negativamente na produtividade do projeto, e isso cria pequenos empecilhos que, na prática, não costumam ser tão relevantes assim. A ideia é conceituar bem o que foi aplicado a partir da ideia, mas não ter uma explicação destrinchada para absolutamente tudo o que é realizado.

Prazos não especificados

Deadlines apertados e até mesmo a ideia de prazos são fatores que assustam criativos, afinal, criar sob pressão é sempre mais difícil. Por isso, tudo que se precisa em um ambiente de uma agência é organização no trabalho. Nesse caso, falamos de prazos bem definidos e capazes de serem cumpridos de acordo com o que é esperado para cada job.

Times de criação devem ser informados dos deadlines e precisam receber essas tarefas dentro de um prazo em que seja possível executar esse processo criativo respeitando todas as suas etapas. Isso dá tranquilidade, concentração e segurança para desenvolver as ideias sabendo quando o trabalho precisa ser concluído.

Quais são as 3 melhores ferramentas para otimizar processos criativos?

Algumas ferramentas de desenvolvimento do pensamento podem oferecer um importante suporte ao processo criativo. Há algumas tradicionais e que há bastante tempo são usadas por times competentes nas maiores agências do mundo. Conheça as três principais a seguir!

1. Mapas mentais

Os mapas mentais são construções de diagramas que ajudam a gerenciar informações e ideais dentro de um esquema gráfico de fácil entendimento. É como se o criativo pudesse rascunhar todas as suas ideias, para então chegar à solução ideal.

2. Brainstorming

O brainstorming é uma técnica muito tradicional que reúne ideias de várias pessoas diferentes trabalhando em um projeto. O foco é coletar o máximo de insights possível para esse job, e então selecionar o que é mais adequado, sempre coletivamente.

3. Positivo, Negativo, Interessante (PNI)

Essa ferramenta considera na percepção de três aspectos a qualquer ideia: os aspectos positivos que ela traz, o que é negativo e o que é interessante, considerando o projeto. A partir disso, fica mais fácil filtrar ideias e trabalhar usando essas classificações.

Estabelecer um processo criativo é algo que depende de um trabalho que vai muito além de simplesmente sentar e esperar um insight genial. Seguir à risca essas etapas sempre que um novo job for desenvolvido e preparar times/pessoas para encarar qualquer desafio dentro de uma agência são pontos cruciais para obter o sucesso.

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