Lições da obra de Clarice Lispector para a produção de conteúdo web!

Clarice lispector

Clarice Lispector nasceu na Ucrânia em 10 de dezembro de 1920 e faleceu um dia antes de completar 57 anos, em 1977. A autora se considerava brasileira e, para falarmos com exatidão, tinha muito orgulho de ter crescido em Pernambuco.

A obra de Lispector atravessa as gerações. Considerada íntima, visceral e até mesmo psicanalítica, a autora é com certeza um dos maiores nomes da Literatura — não apenas brasileira, mas mundial.

Conhecer a genialidade de autores consagrados pode ser intimidador, não é verdade? Então preparamos este post sobre a escrita de Clarice e seu processo criativo. E resolvemos brincar: como seria a Lispector redatora web?

Conheça mais sobre a vida e obra dela neste post e divirta-se com as dicas que a autora vai te dar para melhorar seu trabalho como copywriter! Vamos lá?

A escrita que enfeitiça

Referir-se a Clarice Lispector como “feiticeira” é algo que os críticos adoram e você já deve ter lido por aí. Para geração que já nasceu na internet e na pós-modernidade, pode parecer um exagero tanta comoção em torno de uma única figura, mas será mesmo?

A autora começou sua carreira ainda criança, participando de concursos literários. Seus textos causavam estranheza. Já na infância, ela receberia uma crítica que a acompanharia sempre: que seus textos não descreviam coisas — como era esperado —, mas sensações.

Aos 23 anos, foi publicado seu primeiro livro Perto do Coração Selvagem, escrito quando Clarice tinha apenas 20 anos e era apenas uma estudante de Direito, filha de imigrantes pobres. A crítica foi unânime e há quem diga que foi a maior estreia literária que o Brasil já teve.

Pouco tempo depois, a autora deixou o Rio de Janeiro. Com seu sobrenome diferente, a escrita introspectiva e a ausência do meio literário, surgiram mitos: é uma bruxa. O sobrenome Lispector é um pseudônimo. É um homem que escreve os textos. Praticamente uma ghostwriter dela mesma.

Sinestesia, escrita criativa, uma vida anônima e ser uma mulher foram o suficiente para a escritora revolucionar a época e causar tantos sentimentos. Foi assim que começou sua obra e a dificuldade que temos até hoje de separar criadora de criação.

A vida de redatora

Como a maioria dos escritores de todas as épocas, Clarice trabalhava e escrevia. Em 1939, ela fazia Direito na UFRJ e trabalhava como secretária em um escritório de advocacia. Também fazia traduções do inglês, francês e espanhol. Pois é, muito trabalho e pouco glamour.

Em 1940, publicou seu primeiro conto. Seu interesse por literatura aumentava, ao mesmo tempo em que a empolgação pelo Direito diminuía. No mesmo ano, seu pai faleceu. Essa mudança brusca na estrutura familiar fez Clarice tomar outra decisão: arriscar uma carreira como jornalista.

Como seu bacharelado incompleto em Direito e muita vontade de escrever, Clarice percorria as redações de jornais oferecendo seus contos. Ela relata que era literalmente perguntar “eu tenho um conto, quer publicar?” e que não raramente alguém indagava “de quem você copiou isso?”. Afinal de contas, não existiam muitas opções para redatores e escritores e a internet só seria popularizada décadas depois.

A primeira revista que confiou no seu trabalho foi a Vamos Ler!, dedicada ao público masculino de classe média alta. Você consegue imaginar nossa Clarice Lispector escrevendo para esse público? Esta é a primeira lição que podemos tirar: um bom copywriter sabe que viver de escrita requer sacrifícios e versatilidade.

Além de trabalhar como redatora, com escrita literária e traduções, Clarice também trabalhou como repórter.

A face ghostwriter

A redação web tem algo em comum com a escrita para jornais e revistas e a obra de Clarice Lispector: o ghostwriting. Não raramente, o redator abre mão de sua criação para ganhar a vida. Saiba que isso não é uma prática incomum e que até a consagrada Lispector assinava com vários nomes!

Tereza Quadros, Helen Palmer e Ilka Soares eram as faces de Clarice que escreviam dicas sobre a rotina feminina para o Correio da Manhã, Diário da Noite e Comício nos anos 50 e 60.

Sim, a feiticeira, conhecida pela profundidade das suas obras, sinestesia das frases e afins, se divertia e exercitava a escrita dando dicas para mulheres da classe média brasileira. As dicas eram sobre relacionamento, modos e até mesmo… Culinária!

Você que começou este post certo de que encontraria uma profunda análise da sintaxe de A Paixão Segundo G.H não imaginava isso, não é mesmo? A Lispector de hoje em dia seria capaz de tudo! Até de escrever um e-book com dicas para donas de casa, comportamento ou Direito!

Quer ler sobre esta face da consagrada Clarice? A editora Rocco tem uma coletânea dessas obras.

A segunda lição de Lispector é: não há vergonha em escrever sem sua identidade. Pode ser até interessante testar e descobrir até onde seu talento como redator pode chegar!

A linguagem que sopra a favor

Já comentamos da sinestesia que os textos de Lispector geram. Essa figura de linguagem — que é também uma função neurológica — é utilizada para exemplificar quando uma sensação evoca a outra. Cheiros que lembram pessoas, gostos que definem sentimentos etc.

A autora ficou conhecida por esse aspecto, pois o fazia de maneira não óbvia em seus textos. No conto Cartas a Hermengardo, a personagem define toda a infelicidade que está sentido da seguinte maneira:

Como eu ia lhe dizendo, às vezes tudo fica com um gosto de borracha e nesse momento nem mesmo tomar café na cama me distrai. Tudo fica velho de repente e eu peço a cada instante. (…)

Nesse trecho, Clarice fez uma metáfora repleta de sinestesia. Ficou difícil imaginar como utilizar esse recurso nas sua redações web? Então fique com a terceira lição: um exemplo criativo não precisa ser óbvio, mas causar identificação com quem lê.

Afinal, todo ser humano sabe o que é gosto de borracha. Mas como Clarice, nunca abuse de nenhum recurso! É melhor surpreender que exagerar.

Os feedbacks dos amigos

Clarice passou muitos anos fora do Brasil, pois se casou com um diplomata. Como você já leu neste texto, isso gerou uma áurea de mistério em torno da figura dela, quase sempre ausente dos círculos literários e cults brasileiros.

Como toda pessoa que escreve, ela também tinha suas inseguranças e contava com a ajuda de seus amigos nas revisões e em boa parte da sua produção literária. Fernando Sabino, Lúcio Cardoso, Rubem Braga — a autora tinha uma penca de pessoas que a ajudavam.

Em uma carta para Sabino em 1956, quando estava morando nos EUA, Lispector confessa:

Fernando,

eu pretendia responder imediatamente a sua carta, mas me deu pânico em relação ao livro, um desses frios que se tem quando se vê sem ilusões a realidade. (…)

Sim, a autora já conhecida e adorada se sentia insegura ao enviar um livro para editores e não tinha o menor problema de comentar isso com seus amigos. Afinal, todos conheciam bem as angústias da escrita.

O mais interessante desses relacionamentos é que Clarice confiava em alguns escritores para enviar seus originais antes de submetê-los às editoras. Fernando Sabino já fez revisões de livros inteiros da autora. Alguns foram publicados, outros ficaram na gaveta.

A quarta lição é: fique atento aos feedbacks. Se estiver inseguro, peça. Ter uma comunidade de pessoas que te ajudam na redação é sempre produtivo!

A possibilidade Clarice Lispector produzir para a web

Neste post, trouxemos um lado pouco falado de Clarice Lispector. Comentamos seus processo criativo, seu lado de redatora e até suas inseguranças enquanto escritora.

Pela sua versatilidade e inteligência — ela era poliglota, escritora e bacharel em Direito —, temos certeza que Lispector adoraria ter as possibilidades infinitas do mundo da internet.

Além disso, a profissão de redatora freelancer casaria perfeitamente com a vida pessoal de Lispector: mãe de 2 filhos, ela foi casada com um membro da diplomacia brasileira, por isso passou boa parte de sua vida viajando e morando em diversos países.

Também sabemos que ser ghostwriter era algo que ela gostava de fazer, então escrever para as mais diferentes personas e sobre diferentes assuntos provavelmente seria estimulante para sua criatividade.

Pela curiosidade, pelas vantagens ou pelo desafio: a redação web e a vida de escritora de Clarice Lispector têm muito mais a ver que você pensava!

A produção de Clarice Lispector que influencia a internet

É impossível não discutir o quanto a literatura da autora nos influencia até hoje. Os críticos mencionam a famosa linguagem e também o fato de ter sido a primeira autora a falar com tanta intimidade do universo feminino.

Independentemente das razões, o fato é que vira e mexe nós vemos frases atribuídas a Clarice Lispector espalhadas pela web. Muitas vezes, pelo estilo sinestésico. Mas… Será que são dela mesmo?

Você já deve ter lido este poema atribuído à autora:

eu gosto dos venenos mais lentos

dos cafés mais amargos

das bebidas mais fortes

e tenho

apetites vorazes

uns rapazes

que vejo passar

eu sonho

os delírios mais soltos

e os gestos mais loucos

que há

e sinto

uns desejos vulgares

navegar por uns mares

de lá

você pode me empurrar pro precipício

não me importo com isso

eu adoro voar.

Essa belíssima peça é da atriz e autora Bruna Lombardi! O poema chama-se Alta Tensão e está no livro O perigo do dragão. Sim, Clarice Lispector é tão contemporânea aos nossos sentimentos que a internet, vira e mexe, transforma suas produções em hoax — aqueles boatos falsos.

A escrita de Clarice Lispector atravessou décadas, e conhecer seu processo criativo pode te inspirar na jornada de ser um bom redator web. Afinal, nada melhor do que descobrir várias características em comum com uma autora consagrada, não é verdade?

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