Por Autor Convidado

pela Rock Content.

Publicado em 11 de março de 2019. | Atualizado em 25 de junho de 2019


Entenda mais sobre os impasses que envolvem a franquia de banda larga e como a limitação da internet pode impactar diferentes tipos de negócio.

Há alguns anos, o poder legislativo brasileiro e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) discutem sobre a possibilidade de determinar uma franquia de banda larga, limitando o consumo de internet fixa no Brasil.

O projeto de lei já teve muitas idas e vindas, mas a discussão sobre a mudança no formato de comercialização desse tipo de serviço não chegou ao fim e está marcada para ter uma decisão definitiva em 2019.

Neste artigo, você vai entender melhor como essa mudança pode afetar os consumidores e o seu negócio. Entenda também como está à situação do projeto de lei que possibilita a limitação de internet fixa.

O que é e como funciona a franquia de banda larga?

A franquia de internet é uma limitação de quantos dados você pode enviar e receber por meio da rede de acordo com seu plano contratado.

No caso da internet móvel, por exemplo, todos os planos possuem alguma franquia. Quando o usuário atinge esse limite, a operadora reduz à velocidade da conexão, a menos que você contrate um pacote adicional de dados.

Porém, a banda larga não funciona assim. A internet à cabo ou fibra, por exemplo, é contratada por velocidade e não possui limite de uso.

Apenas os planos de internet fixa, que oferecem rede móvel por modems, como o 4G da Nextel e a internet da SKY, podem ter franquia atualmente.

Entretanto, esse tipo de serviço é mais indicado para quem não consome tanta internet.

O que o projeto de lei propõe é que a banda larga fixa seja contratada por quantidade de dados independentemente da tecnologia.

Na prática, isso significa que as empresas de telecomunicações poderão reduzir ou até mesmo cortar a velocidade da internet quando o cliente atingir o limite da franquia contratada, assim como acontece no celular.

Essas mudanças devem prejudicar, e muito, a experiência de navegação do usuário, limitando a quantidade de dados para download e upload.

Atualmente, é possível assistir a vídeos à vontade, jogar online, baixar diversos documentos e muito mais, sem ser interrompido.

A qualidade depende da velocidade contratada no plano e, caso a mudança seja concretizada, não será mais assim e o limite de internet poderá se tornar um dos fatores que interferem na experiência do cliente.

Como o consumo de dados afeta o uso da internet

Para compreender melhor como a limitação de dados pode interferir na experiência dos seus clientes, é importante saber como a navegação consome a internet deles.

Segundo dados do Movimento Internet sem Limites, movimento que visa compartilhar informações relativas à franquia de dados no Brasil, a franquia pode ser consumida em um único dia de conexão contínua.

Confira os dados de consumo:

  • Um vídeo de 15 minutos no YouTube consome cerca de 550 MB.
  • Um episódio de 20 minutos na Netflix consome cerca de 1,1 GB.
  • Jogos online com gráficos de alta resolução chegam a consumir 40 GB.

Vale lembrar que a oferta mais alta de internet era de 130 GB por mês. Colocando na ponta do lápis, o serviço corre o risco de ficar muito mais caro!

Isso significa que: com um pacote de dados limitados, os seus clientes terão que escolher com mais cuidado qual conteúdo acessar.

Saiba como a limitação de internet pode impactar o seu negócio

Faça uma análise rápida: qual empresa consegue trabalhar atualmente sem internet? A conexão é essencial para a troca de e-mails, para a solicitação de serviços, para o contato com fornecedores, divulgação para o público e muito mais.

Porém, a limitação da banda larga não vai afetar apenas o plano que você contrata. Ela pode afetar a forma como você faz marketing digital, porque as pessoas terão que ter mais cuidado com o que acessam para não consumir toda a franquia de dados.

Para alguns nichos, o corte da internet (ou mesmo a redução de velocidade) após o fim da franquia, pode ser ainda mais prejudicial.

Empresas de cursos online

Uma grande tendência na busca por novos conhecimentos são os cursos online. Diversas empresas oferecem uma grade enorme de aulas, que são transmitidos por vídeo.

Além de capacitação livre, cursos de graduação, pós-graduação, MBA, entre outros, também oferecem aulas pela internet, facilitando a vida dos alunos e garantindo a disseminação de novas informações sem a barreira da localização geográfica.

Com a limitação de banda larga, essas escolas serão muito prejudicadas, já que os vídeos consomem uma boa parte da franquia. Além disso, a redução da velocidade após atingir o limite de dados, fará com que a experiência do usuário seja muito ruim.

Agências de marketing digital (e todo mundo que está inserido no mundo da produção de conteúdo)

Fotos, vídeos, gifs, webinars e materiais para download constituem a base do marketing digital. Com as mudanças, a quantidade de uploads deve ficar restrita, bem como o acesso a todo esse conteúdo, interferindo na relação com o público.

Praticamente nenhum modelo de negócio sobrevive, atualmente, sem a produção de conteúdos digitais.

A presença nas redes sociais, o site e o envio de e-mail marketing, por exemplo, podem ser afetados tanto na produção quanto no compartilhamento e interação.

Com a limitação da internet fixa é bem provável que à forma das pessoas consumirem conteúdo mude e que elas deem mais atenção para aquilo que consuma menos o seu pacote de dados.

Empreendedores que trabalham com transferência de arquivos

Fotógrafos, designers, arquitetos: se a franquia de banda larga for aprovada, esses e muitos outros profissionais que utilizam da computação em nuvem, podem ser seriamente afetados.

Nessas áreas, é muito comum a transferência de arquivos em ferramentas de nuvem ou download, como Google Drive, Dropbox e WeTransfer. Mas subir e descer arquivos também consome boa parte dos dados.

Empresas de Tecnologia da Informação

Empresas (ou mesmo setores) de TI precisam muito da internet (não me diga!). Seja para entrar em contato com clientes, seja para realizar suas operações, seja para manter o backup dos arquivos.

Com a limitação da internet é possível que os custos fiquem mais caros para esse nicho, já que precisam de muita velocidade.

Coworkings

Os espaços de coworking e escritórios compartilhados são uma tendência mundial e funcionam muito bem para profissionais que necessitam de uma sede, mas não conseguem arcar sozinhos com os custos de uma estrutura completa.

Esses espaços compartilham muito mais do que a sala: dividem a conta de luz, condomínio e também a internet.

A limitação de franquia deve prejudicar esse modelo de trabalho, já que várias pessoas necessitam da internet fixa em conjunto, de forma simultânea, o que consome ainda mais a franquia.

Serviços corporativos podem ficar mais caros

Por enquanto, ainda não há uma decisão final sobre a franquia de banda larga e nem como isso será feito nos planos empresariais.

De qualquer forma, se a mudança for regulamentada, haverá mudanças nos pacotes comercializados para o consumidor final.

Além da diferença no modelo de utilização de dados, a limitação de internet deve mudar os preços do serviço, inclusive nos planos corporativos.

É possível que a contratação de internet fique mais cara, por isso, é essencial que as empresas acompanhem essas alterações e fiquem de olho nos valores.

Saiba como a proposta de limitação de internet fixa começou

Senta, que lá vem história. O debate sobre a liberação ou não de franquia de banda larga começou há alguns anos e tem gerado muitas dúvidas, discussões e adiamentos.

Tudo começou em 2016, quando as operadoras Oi, Vivo, NET e Claro anunciaram que passariam a oferecer internet banda larga com franquia de dados a partir de janeiro de 2017.

Essas mudanças abrangeriam os pacotes de internet cabeada. A banda larga 4G não estão incluídas nessas alterações, já que a entrega do serviço é limitada pela própria natureza da tecnologia.

Os consumidores, é claro, se manifestaram, usando o Marco Civil da Internet – Lei 12.965/2014 – como base para denunciar os abusos das empresas prestadoras de serviço, alegando que as alterações iam contra o direito de acesso à informação e ao conhecimento.

As operadoras também se basearam no Marco Civil para a sua defesa, destacando a autorização de livre concorrência como argumento para justificar a limitação de franquia.

Anatel lançou consulta pública para avaliar o assunto

Com o objetivo de entender os impactos dessa notícia para o consumidor, a Anatel lançou uma consulta pública com 29 perguntas e ajudar na tomada de decisão sobre a franquia de banda larga.

A partir do retorno dos participantes, a Anatel vetou, pelo menos temporariamente, a limitação de internet nos planos de banda larga.

Senado aprovou projeto de lei para suspender a limitação

O Senado Federal também precisou entrar na briga das operadoras e consumidores e, no dia 15 de março, aprovou o Projeto de Lei Suplementar 174/2016, alterando o Marco Civil da Internet de forma a proibir as franquias de dados para esse tipo de serviço.

Na justificativa do projeto, está a necessidade da internet para o exercício da cidadania, por meio de educação a distância, acesso à informação e até a declaração do Imposto de Renda — que agora é feito online.

Anatel volta a discutir a aprovação da franquia de dados

Embora os consumidores tenham sido categóricos sobre a importância de não colocar limites na internet fixa, a Associação Brasileira de Provedores de Internet e Comunicação (Abrint) e o Sindicato Nacional das Empresas de Telecomunicações por Satélite (Sindisat) têm pressionado a Anatel para uma mudança.

Assim, o órgão voltou a discutir o assunto em 2018, já que as operadoras são unânimes em afirmar a necessidade de limitação.

Para a Abrint, o grande problema da comercialização ilimitada é que ela gera mais custos para as operadoras quando os usuários utilizam o serviço de forma exacerbada.

Decisão foi adiada para este ano

Sem conseguir chegar a uma solução para este impasse, a Anatel voltou a adiar a decisão sobre a franquia de banda larga, mas deve tomar uma posição ainda em 2019.

A agência está consultando de que forma o tema é tratado em outros países, buscando uma resposta que possa agradar tanto às operadoras quanto aos consumidores, sem ferir os direitos de acesso à informação previstos na legislação brasileira.

Por enquanto, o assunto continua uma incógnita, mas é bom que os consumidores já estejam preparados para as mudanças e comecem a pesquisar as operadoras mais vantajosas na oferta desse tipo de serviço.

A sua empresa já está pronta para a limitação de internet nos planos de banda larga? Você acha que isso pode afetar suas estratégias de marketing digital? Conte para a gente!

Conteúdo produzido por MelhorPlano.

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