Parler: o que esperar da rede social que compete com Twitter

O Parler é um microblog, desenvolvido nos moldes do Twitter. Ele nasceu em 2018 e tem crescido a partir de um posicionamento bem definido: oferecer liberdade de expressão para os grupos mais conservadores da sociedade. Saiba mais sobre as polêmicas que envolvem o Parler.

Parler

    O Parler não esconde que o seu objetivo é ser uma alternativa para quem não está satisfeito com o Twitter.

    Criada em 2018, a plataforma tem funcionalidades bem parecidas com o seu concorrente direto e usa a seu favor um bom argumento: não pretende controlar as publicações dos usuários.

    A estratégia é bem clara. Ele está se aproveitado da pressão que o Twitter tem sofrido nos Estados Unidos para exercer maior controle sobre as postagens dos usuários.

    Mais do que isso, tem se apresentado como uma opção para quem foi suspenso ou banido das redes sociais.

    Para quem gosta de polêmica, há outro ingrediente na disputa: o Parler tem atraído seguidores mais conservadores. Nos Estados Unidos, por exemplo, ganhou a adesão de defensores do presidente Donald Trump.

    Curioso para entender melhor as origens e o desenvolvimento da nova rede social? Reunimos algumas informações sobre o assunto. Confira!

    O que é o Parler?

    Em termos de funcionalidades, o Parler é bem parecido com o Twitter. O que é bem diferente da outra plataforma é o seu posicionamento, sem falar nas razões que motivaram a sua criação.

    O Parler se apresenta uma plataforma “anti censura”, a favor da liberdade de expressão. A ideia é que os próprios usuários lidem com os eventuais abusos.

    Esses valores são destacados em seus textos institucionais, que enfatizam o respeito às ideias e às posições de seus seguidores.

    Aparentemente, é algo bacana, certo? Mas tem mais por trás dessa história: ele começou a abrigar muitos usuários que foram bloqueados no Twitter e no Facebook.

    Um de seus principais seguidores é Rudy Giuliani, ex-prefeito de Nova York. Apoiador do governo Trump e membro da direita americana, ele atraiu alguns seguidores do seu grupo para o Parler.

    A Reuters fez uma reportagem recentemente para investigar melhor as adesões à nova plataforma. Segundo a matéria, muitos usuários vêm da Arábia Saudita.

    Como o Parler surgiu?

    Criado em 2018, o aplicativo nasceu baseado no conceito mobile first. Como as comparações são inevitáveis, devemos dizer que o layout lembra a versão mobile do Twitter.

    No computador, o formato do site pode ser comparado ao que é adotado nos fóruns de discussão.

    Não se trata de um modelo de negócio inovador: a proposta é que a plataforma sobreviva a partir do dinheiro da publicidade e da oferta de ferramentas para os publishers.

    Como o Parler ainda não tem um grande número de seguidores, alguns usuários enxergam como uma vantagem o fato de a rede não estar na mira do governo norte-americano.

    Não é segredo que o Twitter, a exemplo do que tem acontecido com Facebook, tem sido cobrado para mediar as conversas com mais efetividade, evitando os abusos.

    Com isso, temos assistido ao acirramento dos debates sobre liberdade de expressão no ambiente digital.

    Qual tem sido a trajetória do Parler?

    Deixando as discórdias de lado, vamos analisar alguns dados do Parler:

    • segundo informações divulgadas na imprensa americana, o aplicativo tinha cerca de 100 mil seguidores até maio de 2019. Em junho, esse número subiu para 200 mil pessoas;
    • para entender o seu crescimento, é preciso conhecer os bastidores. O aplicativo foi lançado em agosto de 2018, mas até dezembro não tinha muita representatividade. Isso começou a mudar quando figuras celebres da direita americana passaram a promover o seu uso;
    • um dos casos emblemáticos foi a entrada de Candace Owens, diretora de comunicações da Turning Point. Ela teve sua conta suspensa no Twitter depois de fazer uma série de posts acusando Sarah Jeong, que faz parte do Conselho Diretor do Times, de fazer “racismo contra os brancos”.

    Como a rede social tem crescido?

    As polêmicas favorecem o Parler. Em dezembro do ano passado, em meio aos debates sobre os banimentos no Twitter, ele foi um dos aplicativos mais baixados nos Estados Unidos na loja da Apple.

    Aproveitando o burburinho, o criador da plataforma partiu para uma estratégia ousada: fez uma espécie de “reserva” de perfis para figuras que ele gostaria de ver no Parler. A ação chamou a atenção pela proeminência dos “convidados”, como Donald Trump (@DonaldJTrumpJr).

    O único porém da estratégia é que a plataforma, ao que tudo indica, não estava preparada tecnicamente para o aumento da demanda. Houve reclamações relacionadas à demora no carregamento da página.

    Como o Parler funciona?

    Como explicamos, as funcionalidades do Parler são bem parecidas com a do Twitter. Mas tem um diferencial importante: em vez de 280 caracteres, os posts podem chegar a 1000 caracteres.

    É impossível afirmar se o sucesso da plataforma será duradouro ou passageiro. O que se sabe é que o fundador, o empresário John Matze, tem investido no desenvolvimento da plataforma e defendido a necessidade de os usuários terem alternativas para expressarem livremente suas ideias.

    Segundo informações do site, hoje são publicados mais de 700 novos posts por hora.

    Em suas entrevistas, Matze argumenta que existe um cerceamento à liberdade de expressão dos grupos conservadores, que têm mais liberdade no Parler.

    Rede social tem “ideologia”?

    Vale o registro de que o Parler não é a primeira experiência nesse sentido. Em 2016, em meio às eleições presidenciais norte-americanas, o Gab foi criado com um discurso similar, apresentando-se como uma opção para os usuários de direita.

    Com a onda de banimentos do Twitter e do Facebook, os números cresceram, inclusive no Brasil.

    Segundo os dados disponíveis no próprio site, o Gab.com tem atualmente quase 1 milhão de usuários registrados em todo o mundo. Os principais mercados são Estados Unidos (com 51% dos usuários), Brasil (10%), Reino Unido (6%), Canadá (6%) e Alemanha (3%).

    Os debates no Gab não ficaram restritos à política (direita versus esquerda, conservadores versus liberais). Envolveram questões mais críticas, relacionadas, por exemplo, a movimentos racistas e antissemitas.

    Diante da repercussão causada pelos posts, empresas como a Google e a Apple anunciaram a retirada do aplicativo de suas respectivas lojas de apps. Houve problemas também com servidores de Internet e com empresas que administram meios de pagamento online.

    Hoje o Gab está fazendo uma captação de recursos, via crowdfunding, para ter uma plataforma própria.

    Em entrevistas recentes, o seu fundador criticou o concorrente Parler, questionando se ele vai conseguir firmar-se como uma rede social de direita.

    O que Parler e Gab gostariam? Que o presidente Donald Trump levasse para eles parte dos seus 60 milhões de seguidores no Twitter.

    Em maio de 2019, as apostas nesse sentido aumentaram a favor do Parler. É que Brad Parscale, gerente de campanha da Trump, fez uma conta na rede social e reuniu-se com Matze.

    Como ficam as marcas nesse ambiente?

    Para quem trabalha com as redes sociais, é importante monitorar essa movimentação. Afinal, precisamos estar preparados para as mudanças, correto?

    Sob a perspectiva das marcas, é difícil imaginar que redes sociais muito radicais, que alimentem posições extremistas, possam servir aos propósitos das empresas.

    Primeiro, pelo risco de endossar teorias conspiratórias. As marcas precisam de ambientes saudáveis, nos quais possam confiar.

    Respeito às convicções políticas faz parte do jogo. Porém, as marcas precisam se preservar, não podem correr o risco de se associar a grupos que alimentem qualquer tipo de discriminação.

    E como estão os números do Twitter?

    No mundo, o Twitter é uma das redes mais populares, com 300 milhões de usuários. No Brasil, segundo dados do Statista, houve uma queda de 63% na base de 2013 para 2018. Mas os números ainda são representativos: 30 milhões de usuários registrados no país.

    Na nossa pesquisa Social Trends 2019 também foi captada a tendência de queda. A participação do Twitter, entre os respondentes, caiu de 44,6% em 2017 para 30,4% em 2019.

    Ao anunciar seus resultados no último trimestre de 2018, a empresa divulgou que a queda no número de usuários não era uma surpresa. Segundo a companhia, foram suspensos mais de 70 milhões de perfis falsos.

    A rede social alega que a “limpeza” deve melhorar o ambiente na plataforma e que não impacta as métricas para as empresas anunciantes.

    Apesar da queda no valor das ações da empresa, as mudanças ainda não representaram redução nos lucros da companhia.

    Como os números dos seguidores do Parler ainda são baixos, não deve haver uma migração imediata de anunciantes. Porém, é importante acompanhar essas movimentações entre as redes sociais. Elas podem, inclusive, revelar insights para serem trabalhados pelas marcas, certo?

    Na era da transformação digital, é natural que apareçam novas plataformas. E, devido à importância das redes sociais para as marcas, é primordial estar de olho nas tendências dessa área.

    Ainda que não haja muitas certezas sobre o que vai acontecer, não se pode negar o acirramento dos debates sobre a necessidade de maior controle desse ambiente. Se o assunto interessa a você, não deixe de ler nosso artigo sobre o projeto europeu de direitos autorais.

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